Débora Spada*

A liderança feminina ainda é um tema pouco abordado no que diz respeito ao quanto as empresas estão contribuindo para o equilíbrio de mulheres na liderança. Ainda que enfrentem muitos obstáculos para chegarem à uma posição de chefia mais alta, assim como homens, pois competência independe de gênero.

Segundo estudo feito pela McKinsey, a qual realiza há mais de cinco anos um diagnóstico sobre a situação das mulheres no mercado em toda a América, os últimos resultados revelaram que, em geral, a cada 100 homens promovidos a gerentes, 86 mulheres alcançam essa posição. Isso significa que um déficit é gerado mais à frente, com menos mulheres para, futuramente, assumirem cargos mais altos. 

Mas, o problema aqui não é ter mais homens na liderança do que mulheres, e sim, ter homens menos qualificados em altos cargos, apenas por serem homens, e ter mulheres altamente qualificadas sem chegar nessas posições, por serem mulheres. 

Contar com a diversidade de mulheres em cargos de liderança traz vantagens para o desenvolvimento do negócio, para a equipe e para a sociedade, por exemplo, líderes mulheres promovem o sentimento de identificação em outras profissionais da organização ou de fora dela, mostrando que esse é um caminho possível; solucionadoras holísticas de problemas, as mulheres assimilam mais detalhes, com mais rapidez, são mais criativas e organizam essas informações em padrões mais complexos.

Apesar de apresentarem diversas características predominantes, que favorecem o universo corporativo para uma melhor lucratividade, alguns fatos históricos e culturais impedem que elas cheguem com mais rapidez no topo das empresas.

Conflito entre vida em casa e no trabalho

De forma cultural, boa parte das funções com filhos e com a casa são assumidas por nós e para superar todas as dificuldades, muitas vezes as mulheres em cargos altos trabalham mais do que o normal e assumem mais funções do que deveriam. E pode não parecer, mas são comuns os questionamentos no trabalho sobre a performance das profissionais por conta da dupla dedicação. 

É importante lembrar que a vida é uma só, e dentro dela temos casa, filhos, trabalho, yoga, cachorro, marido, entre outros. Assumimos diversos papéis em uma única vida. E a necessidade de atingir metas elevadas e se provar autossuficiente pode prejudicar a saúde mental, a autoconfiança e a vida pessoal das profissionais, levando a transtornos e esgotamento. Não é à toa que a Síndrome de Burnout tem relação direta com o ambiente de trabalho, especialmente quando falamos das mulheres.

De acordo com a pesquisa realizada pela Great to Place to Work, as mulheres que trabalham fora possuem 23% mais chances de desenvolver burnout do que os homens na mesma situação. Isso acontece devido a jornada estendida, que muitas vezes se posicionam para dar conta de tudo, ficando ansiosas, pressionadas e sobrecarregadas. O famoso "deixa comigo" ou "é tudo eu".

Para evitar o burnout, o ideal é que as empresas mantenham o diálogo aberto com seus colaboradores, entendendo seus limites de produtividade e como podem equalizar os benefícios às necessidades das equipes. Uma boa pedida é contar com os benefícios flexíveis, que ajudam os colaboradores a terem uma vida mais tranquila fora do trabalho, seja com benefícios voltados para a mobilidade, saúde, auxílio home office e até mesmo auxílio-creche.

Mas para além do papel das empresas, existe também o nosso papel como líderes. Precisamos aprender a pedir ajuda, a ser vulnerável e dividir a responsabilidade com o nosso time, marido, seja quem for. A chave aqui também é entender o que é prioridade para termos uma rotina mais equilibrada mesmo trabalhando muito, seja na empresa ou em casa.

Mulheres adultas não competem com outras mulheres

Promover igualdade dentro das empresas não é tarefa fácil, porém é necessário para que todos consigam melhores condições de trabalho. E a relação com outras mulheres, como você já deve imaginar, é muito importante para alcançar resultados.

Apenas nós, mulheres, conseguimos entender o que passamos no mercado de trabalho. E justamente se colocar no lugar da outra e apoiar mulheres que estão ao seu redor em qualquer situação, sem fazer julgamentos, pode promover esse incentivo no mercado profissional, o que é extremamente importante para que o trabalho inclusivo seja conquistado dentro de uma empresa. Somente assim é possível criar uma nova realidade de respeito e espaço para nós, mulheres.

A prática dentro das empresas é um pouco diferente. É preciso que a mesma mude seus procedimentos e adote algumas atitudes, como: posicionamento, dando importância a todas as mulheres, criação de grupos de apoio para mulheres dentro de empresas e entendendo de fato todas as facetas que existem no ato de ser mulher.

Com essas atitudes, é possível mudar a realidade da sua empresa e criar um ambiente mais inclusivo e seguro para as mulheres. É muito importante que o lado feminino do mercado se fortaleça e se torne uma parcela ainda mais significativa de mão de obra.

O mercado de trabalho sempre foi desigual e, assim, quando paramos para pensar a última vez que o Brasil esteve de boa? Faz muito tempo. Sempre vão existir crises, problemas que podem tentar nos impedir de seguir em frente. Mas espero que você use esses desafios para crescer e se superar cada vez mais, lembrando que juntas, temos o poder de criar novas realidades.

*Débora Spada é cofundadora da Start Empreendedor, edtech criada por empreendedores para empreendedores, com o propósito de apoiar em todas as etapas da jornada de uma startup, da fase inicial a aqueles que já estão prontos para escalar o seu negócio. Debby, como gosta de ser chamada, tem como missão empoderar outras mulheres, incentivando-as para que encontrem o seu poder dentro de si e sejam donas da própria vida. Reconhece e fortalece o papel individual das mulheres na sociedade e trabalha para que alcancem uma vida mais leve, independente e completa.

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