Melhor uso da tecnologia para captar clientes, a partir de tour virtual, e os impactos da pandemia sobre os critérios de escolha dos imóveis são alguns marcos da tendência

Os impactos econômicos da pandemia provocada pelo novo coronavírus ainda são imprevisíveis em diferentes escalas: individual, familiar, nacional e global. Até agora, o aumento do desemprego e a queda da renda médias das famílias foram os efeitos que mais atingiram boa parte da população mundial.

Esse contexto poderia afastar os desejos e as possibilidades de financiar um imóvel. Contudo, uma pesquisa da BRAIN Inteligência Estratégica mostrou o contrário. Em junho, 22% das pessoas que já pensavam em comprar um imóvel efetuaram a compra.

Esse número equivale a seis pontos percentuais acima do valor registrado em março e três a mais do levantado em abril. A pesquisa destacou que um maior crescimento da venda de imóveis foi registrado nas regiões Sul e Centro-Oeste do país. Já as compras nas áreas Sudeste, Norte e Nordeste mantiveram-se estáveis.

Motivações e impactos da pandemia

A pesquisa também indicou que as motivações para não comprar variam de acordo com o salário ganho. Enquanto muitas pessoas com renda de até R$ 11 mil alegam ter desistido porque perderam o emprego, aquelas com faturamento acima desse valor não compraram em função das incertezas provocadas pela pandemia.

O impacto da pandemia sobre essa decisão foi baixa, afetando cerca de 10% dos entrevistados, sendo que esse valor se manteve em abril e junho. Entre as pessoas afetadas, as mudanças mais frequentes nos critérios foram a busca por mais cômodos e o desejo de morar em uma casa, em vez de um apartamento.

Auxílio da tecnologia

O melhor uso da tecnologia pelas construtoras é outro fator que ajuda a compreender o aumento das vendas. Antes, a tentativa de conciliar trabalho, demandas familiares e visita a alguns imóveis antes da compra podiam dificultar ou prolongar o processo de pesquisa.

Na quarentena, foi fundamental a adoção de novas estratégias com base nas ferramentas virtuais, como book digital, tour virtual do imóvel e videoconferências. Assim, os proprietários puderam apresentar as residências mesmo quando a visita não pôde ser feita presencialmente.

Desde o início da quarentena no Brasil, muitas empresas do setor imobiliário viram uma explosão de até 200% no volume de contato de clientes por canais digitais. Para algumas delas, as vendas on-line chegaram a corresponder 40% do total nos meses de março e abril — marcos iniciais da quarentena no país.

Ressignificação do lar

Entre os inúmeros aprendizados deixados pela pandemia até agora, um dos mais marcantes é a ressignificação da importância do lar e o que se considera fundamental nele.

Se, antes, a prioridade era a localização e a arquitetura, após o confinamento social, a área do imóvel, a quantidade e a disposição dos cômodos ganharam mais importância.

A adoção do sistema de trabalho remoto por diferentes profissões impõe a necessidade de buscar imóveis maiores, já que a casa, agora, não serve apenas para morar, tornando-se o local de serviço para alguns profissionais anteriormente habituados a irem à empresa para cumprir a jornada de expediente.

A necessidade de cômodos independentes, que podem ser usados exclusivamente para quem precisa trabalhar, também adquire nova importância a partir da experiência da quarentena.

Antes da pandemia, espaços como varandas ou quintais já eram valorizados, mas, agora, esses locais se transformaram em um diferencial e tanto — especialmente, para quem tem crianças pequenas em casa e viram a necessidade de ter uma área no próprio lar, destinada às atividades que vão além da manutenção do imóvel e não são movidas pelas necessidades do trabalho.
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