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14.10.21

Inflação nos EUA atinge níveis da crise financeira de 2008


Os Estados Unidos estão passando por um momento difícil em sua economia. A inflação homóloga, entre setembro de 2020 e 2021, atingiu níveis nunca vistos desde a crise imobiliária de 2008, atingindo 5,4%.

De acordo com dados do Departamento do Trabalho e do Índice de Preços ao Consumidor do país, a inflação de bens e serviços básicos para os americanos atingiu o pico, superando os 5,3% ano-a-ano apresentados em agosto passado.

Essa alta da inflação, confirmam dados do Ministério do Trabalho, está ocorrendo em setores que foram diretamente afetados pela pandemia. Diante disso, segundo o portal do New York Post , o retorno à normalidade aumentou a demanda que não foi atendida devido a problemas logísticos nas importações , o que ocasionou o aumento dos preços de alimentos e serviços.

Esses níveis de inflação coincidem com os que ocorreram na crise imobiliária de 2008 nos Estados Unidos, cuja recessão praticamente viu o nascimento do Bitcoin no início de 2009.

Em julho de 2008, com a crise a todo vapor, os níveis de inflação homóloga atingiram o pico de 5,6%. Se não houver soluções claras para a situação atual, a inflação pode ultrapassar esse teto .

A inflação cresce junto com a dívida

Junto com o relatório dos novos níveis de inflação, foi anunciado que a Câmara dos Deputados aprovou o que será um aumento temporário do teto máximo da dívida dos Estados Unidos, que chegará a 420 bilhões de dólares.

De acordo com a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, a medida vai permitir aos Estados Unidos pagar suas obrigações tributárias, evitando a inadimplência.

As repercussões dessa medida sobre a inflação que vem crescendo no último ano ainda estão por se ver, uma vez que a medida provisória de aumento da dívida vigorará até dezembro próximo.

O dólar perde poder de compra e o bitcoin faz o oposto

No mesmo período, entre setembro de 2020 e setembro de 2021, o bitcoin passou da ordem de $ 10.000 para $ 40.000. O aumento, medido em dólares, foi próximo a 300%.

A criptomoeda desenvolvida por Satoshi Nakamoto provou ser uma ferramenta útil para armazenar valor. É que o BTC tem características que o levam a ser anti-inflacionário no médio e longo prazo , além de sua volatilidade em períodos mais curtos de tempo.

Por exemplo, o número de bitcoins em circulação nunca excederá 21 milhões. Nesse sentido, difere da moeda fiduciária, ou seja, aquela que é emitida pelos estados, cujo dinheiro em circulação pode aumentar de forma ilimitada, de acordo com as necessidades do Governo.

Em situações de crise e inflação global, a política monetária imóvel do Bitcoin pode ser uma salvação para os poupadores individuais e também para os chamados “investidores institucionais” .

6.1.22

Inflação do Bitcoin foi cinco vezes menor que do Real brasileiro em 2021


A inflação do Real brasileiro fechou o ano de 2021 com um cenário preocupante, ao contrário do Bitcoin, que é cinco vezes menor.

Criada em julho de 1994, o Real brasileiro é a moeda nacional do Brasil, emitida e controlada pelo Banco Central. Essa foi parte do chamado Plano Real, o único que conseguiu combater o problema da hiperinflação no país, presença marcante nas décadas de 80 e 90.

A chamada inflação é uma métrica importante ser compreendida, mas poucas pessoas dão real valor a ela. Contudo, como é por aí que se mede o poder de compra de produtos e serviços em comparação com uma moeda, é importante não menosprezar esse efeito caótico na economia.

Inflação do Real brasileiro é cinco vezes maior que do Bitcoin em 2021

No último boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil de 2021, com referência do dia 31 de dezembro de 2021, a expectativa da autarquia é que o IPCA feche o ano cotado em 10,01%, mostrando que o brasileiro perdeu isso de poder de compra com a moeda nacional no último ano.

Essa medida deverá ser confirmada pelo IBGE ainda, mas mostra que o cenário não foi nada positivo com a moeda brasileira. Segundo uma fala recente do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, a “inflação é um imposto maligno”, ou seja, não é nada legal o momento.

Com a inflação oficial do Real brasileiro medida pelo IPCA acima de 10% em 2021, essa foi cinco vezes maior que do Bitcoin no mesmo período, que foi de apenas 1,75% durante todo o ano.

O Real completa em 2022 seu aniversário de ano 28 desde sua criação, mas carrega um problema de já ter perdido quase 90% do seu poder de compra desde então.

Expectativa para o futuro?

A inflação do Bitcoin é controlada pelo mecanismo de emissão de novas moedas, que foi definido em sua criação, quando a rede começou a funcionar, há treze anos. Dessa forma, a expectativa da inflação do Bitcoin para 2022 é a mesma, de 1,75% durante todo o ano, assim como para 2023 e parte de 2024.

Isso porque, em 2024, a inflação do Bitcoin cairá pela metade, com o halving cortando a emissão de novas moedas e deverá deixar a taxa em 0,87% por alguns anos até que se corte pela metade novamente.

Contudo, o Real brasileiro depende de climas políticos e econômicos para decidir como será novas impressões da moeda, com governos tendo ainda uma certa influência na forma como o banco central emite e distribui novas moedas.

Dessa forma, o controle da inflação do Real é um pouco mais complexa, mas o BCB acredita que o IPCA feche 2022 com ela em 5,03%, ainda quase três vezes maior que do Bitcoin caso se confirme.

Como a moeda é um mecanismo de troca que depende da confiança da população em um sistema, o futuro está aberto para qual será o sistema predominante, ou se haverá coexistência entre eles.

25.8.21

Crise hídrica pressionará inflação, diz Campos Neto


Com impactos no preço da energia elétrica, a crise hídrica pressionará a inflação nos próximos meses, disse hoje (24) o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Ele também manifestou preocupação com a inflação dos serviços e com gargalos internacionais no fornecimento de insumos, como semicondutores, que afetam os preços de várias mercadorias.

“[A crise hídrica] agravou-se muito com a falta de chuva e deve continuar sendo um elemento de pressão nos próximos meses”, disse o presidente do BC em evento online promovido por uma empresa de investimentos financeiros. Sobre a inflação dos serviços, ele disse que o grande risco está no fato de que a recuperação ocorre de forma distinta entre os setores, criando desequilíbrios temporários.

Em relação à escassez de semicondutores, o presidente do BC disse acreditar que o problema esteja mais relacionado com o aumento da demanda provocado pela recuperação econômica global do que pela redução da oferta. Os semicondutores são materiais capazes de conduzir correntes elétricas, usados na produção de chips de smartphones e computadores. Nos últimos meses, tem havido falta de chips em todo o planeta, o que afeta a produção de diversos itens tecnológicos.

“A gente tem de fato uma espera um pouco maior [por semicondutores]. Mas se a gente olhar a produção, houve uma queda muito grande em um ou dois meses [no início da pandemia], mas em grande parte da pandemia, ela só aumentou. Então pode ter tido uma ruptura, mas acho que é mais um tema de demanda”, declarou.

Inflação verde
Outro fator que tem pressionado a inflação, disse Campos Neto, é o que ele chamou de inflação verde. Por causa dos investimentos em tecnologias limpas e ecológicas, a demanda por determinados tipos de materiais, como alguns tipos de metais, tem subido. Além disso, a adaptação de diversas técnicas de extração mineral tem elevado temporariamente o custo de alguns materiais, como o alumínio.

“Para atingir esse crescimento mais verde, é preciso uma demanda muito maior em alguns metais. Lembrando que para parte desses metais, a produção não é um processo muito verde, principalmente alumínio. Então vemos com preocupação notícias de fechamentos de minas de cobre, mudanças para tornar mais sustentável a produção de alumínio. Isso diminui a produção e aumenta custos”, destacou Campos Neto.

Meta
Nos 12 meses encerrados em julho, a inflação oficial está em 8,99% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na edição mais recente do boletim Focus, pesquisa de mercado feita toda semana pelo BC, os analistas financeiros esperam que o índice feche este ano em 7,11% e atinja 3,93% em 2022. As projeções estão acima das metas de 3,75% em 2021 e de 3,5% no próximo ano.

Sobre o tema, o presidente do BC afirmou apenas que a autoridade monetária “vai perseguir a meta no horizonte relevante”, indicando que a inflação deve convergir para a meta até o fim de 2022. Ele também ressaltou que as estimativas do mercado para o IPCA no próximo ano estão maiores que expectativas do BC.

“O controle de expectativas de preços é a variável mais fundamental na economia. O BC entende que é muito importante perseguir a meta em um horizonte relevante”, destacou Campos Neto, reafirmando que a autoridade monetária tem os instrumentos necessários para fazer a inflação voltar às metas estabelecidas.

Ruído fiscal
O presidente do BC classificou de “ruídos de curto prazo” as incertezas provocadas pela reforma do Imposto de Renda, que pode diminuir a arrecadação, e a proposta de emenda à Constituição (PEC) que parcela os precatórios (dívidas do governo reconhecidas definitivamente pela Justiça) e introduz gastos fora do teto. Segundo Campos Neto, os dados atuais das contas públicas estão melhores do que as expectativas de mercado.

“O ruído é oriundo da percepção do mercado que alguns programas estariam ligados a uma necessidade de fazer um Bolsa Família mais amplo e mais rápido”, declarou. Ele ressaltou que esses são planos do governo que ainda não se refletem no quadro fiscal nem nos fundamentos da economia.

9.8.21

Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 6,88% este ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, deste ano subiu de 6,79% para 6,88%. É a 18ª elevação consecutiva na projeção. A estimativa está no Boletim Focus de hoje (9), pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos.


Para 2022, a estimativa de inflação é de 3,84%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,25% e 3%, respectivamente.

A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%.

Em junho, a inflação desacelerou para 0,53%, depois de chegar a 0,83% em maio. Ainda assim, com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,77%, no ano, e 8,35%, nos últimos 12 meses. 

Os dados de julho devem ser divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística amanhã (10), mas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, registrou inflação de 0,72% no mês passado, a maior variação do IPCA-15 para um mês de julho desde 2004 (0,93%).

Taxa de juros
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, que foi elevada na semana passada de 4,25% ao ano para 5,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ao anunciar a decisão, o Copom já sinalizou que pretende elevar a Selic em mais um ponto percentual na próxima reunião, marcada para setembro.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 7,25% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica mantenha esse mesmo patamar. E tanto para 2023 como para 2024, a previsão é 6,5% ao ano.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio
As instituições financeiras consultadas pelo BC mantiveram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 5,30%. Para 2022, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 2,05%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,5%.

A expectativa para a cotação do dólar se manteve em R$ 5,10 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,20.

Fonte: Agência Brasil

18.11.21

Inflação será principal problema econômico em 2022, diz ministro


A resiliência da inflação será o grande problema da economia brasileira em 2022, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, as previsões de baixo crescimento para o próximo ano podem não se confirmar, com os mais pessimistas do mercado se surpreendendo com as previsões de crescimento entre 0% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

“O problema não será crescimento baixo, o problema será inflação resiliente. A inflação provavelmente será um pouco acima do que vocês estão prevendo, mas o crescimento também será maior do que vocês estão prevendo, então vamos ver. Eu não faço previsões, eu faço piada de previsões, de previsões erradas”, declarou o ministro em inglês ao participar de evento virtual promovido por um banco brasileiro.

Na última edição do boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo Banco Central (BC), os analistas de mercado projetam crescimento de 0,9% para o PIB em 2022 e inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,8% no próximo ano.

Sem interferências

O ministro disse que a equipe econômica não pretende interferir nos preços por meio de regulações. Segundo Guedes, a única política em curso para segurar a inflação é o aperto monetário (alta dos juros) conduzido pelo Banco Central.

“É verdade que juros vão subir com a luta do Banco Central para controlar inflação, mas estamos realmente fazendo a transição para crescimento sustentável em todos os setores”, disse.

Nos casos em que a inflação acelerar por choques externos, o ministro defendeu a transferência de renda por meio do Auxílio Brasil para aliviar o impacto sobre as famílias mais pobres. Paralelamente, a alta dos preços do petróleo e da energia, na avaliação de Guedes, deverá atrair investidores estrangeiros para o Brasil.

“Se preços de petróleo e de energia sobem, é parte da solução porque atrai investimento. A melhor solução é deixar o mercado agir e, qualquer disfunção, resolve com transferência de renda”, disse Guedes. Segundo ele, a viagem recente do presidente Jair Bolsonaro e de vários ministros aos Emirados Árabes Unidos renderam compromissos de investimentos de US$ 10 bilhões em dez anos reforçando a previsão de ingresso de US$ 700 bilhões em investimentos estrangeiros no país nas próximas décadas.

PEC dos Precatórios

Guedes defendeu a manutenção da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que parcela o pagamento de precatórios e muda o cálculo do teto de gastos, no formato em que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Ele criticou a sugestão apresentada por alguns senadores de excluir o pagamento de precatórios do teto e manter a atual fórmula de cálculo, que atualiza o limite anual pela inflação acumulada entre julho de dois anos antes e junho do ano anterior.

Para o ministro, existirão motivos para se preocupar com a economia em 2022, caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara. “Talvez seja essa a assimetria [entre as estimativas do mercado e do governo para o PIB], porque eu ainda estou esperançoso que nós vamos aprovar as propostas originais. Mas se não aprovarem, então estarei muito preocupado com o crescimento”, declarou.

O ministro defendeu o desenho da PEC aprovada pela Câmara como um instrumento que dará previsibilidade e exequibilidade ao Orçamento público. De um lado, a PEC estabelece um limite ao pagamento anual de precatórios e, de outro, modifica a regra do teto de gastos. Com isso, a proposta abre um espaço de R$ 91,6 bilhões para gastos no ano que vem.

Guedes voltou a defender um fundo de combate à pobreza com recursos da privatização da Eletrobras, da Petrobras e dos Correios. Na avaliação de Guedes, esse mecanismo representa a melhor maneira de enfrentar o encarecimento dos combustíveis e dos alimentos. “Se o petróleo está subindo ou a taxa de juros está subindo e aí alimentos estão subindo, a primeira melhor opção, é claro, são políticas sustentáveis para a erradicação da pobreza”, concluiu.

15.10.21

Inflação em setembro foi maior para as famílias de renda menor


O Indicador de Inflação por Faixa de Renda acelerou para todas as faixas no mês de setembro, mas revelou uma inflação mais acentuada para as famílias de renda muito baixa, com índice de 1,3%, enquanto o grupo de renda alta ficou em 1,09%. Os dados foram divulgados hoje (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A inflação para o segmento de renda baixa foi de 1,2% no mês, para a renda média baixa, 1,21%, e para o segmento de renda média alta foi de 1,04%.

Segundo o instituto, o grupo habitação exerceu a maior pressão inflacionária para as famílias dos três segmentos de renda mais baixa. Para as famílias de renda muito baixa, pesaram os reajustes de 6,5% das tarifas de energia elétrica, de 3,9% do gás de botijão e de 1,1% dos artigos de limpeza. Já os alimentos em domicílio foram puxados especialmente pelas frutas (5,4%), aves e ovos (4%) e leites e derivados (1,6%).

As três faixas de renda mais alta repetiram o impacto sofrido em agosto, com peso maior no grupo de transportes, influenciada pelos reajustes de 2,3% da gasolina, de 28,2% das passagens aéreas e de 9,2% dos transportes por aplicativo.

No acumulado de 12 meses, a inflação para o grupo de renda muito está em 10,98%; a renda baixa acumula 10,72%; a renda média baixa está em 10,64%; a média tem alta de 10,09%; o grupo de renda média alta tem inflação em 12 meses de 9,32% e o grupo de renda alta teve inflação de 8,91%.

O Ipea aponta que para as famílias de renda muito baixa pesaram no acumulado do ano o aumento nos preços dos alimentos no domicílio, como carnes (24,9%), aves e ovos (26,3%) e leite e derivados (9%), além dos reajustes de 28,8% da energia e de 34,7% do gás de botijão.

Para as famílias com maiores rendimentos, a inflação acumulada sofreu impacto das variações de 42% dos combustíveis, de 56,8% das passagens aéreas, de 14,1% dos transportes por aplicativo e de 11,5% dos aparelhos eletroeletrônicos.

16.4.22

Com a inflação acelerada, brasileiros perdem conquistas que vieram com o Plano Real


O choque de preços que levou a inflação em março a 1,62%, a maior marca para o mês em 28 anos, e a dos últimos 12 meses a 11,30% provocou uma perda abrupta de conquistas de consumo dos brasileiros desde o Plano Real. Carne, iogurte, queijo, bolacha recheada, itens que tinham ficado acessíveis nas últimas décadas, agora estão deixando a lista de compras de parte da população – o que é o exemplo mais visível de uma situação de perda de renda, desemprego elevado e custos mais altos.

Nos últimos meses, 73,1% dos consumidores deixaram de comprar carne, quase latic10% cortaram iogurte, queijo,laticínios e bebidas alcoólicas e perto de 6% não levaram para a casa biscoito e feijão, alimento básico, revela pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), feita pela JFP Consultoria e obtida pelo Estadão.

O estudo, que ouviu no início do mês 200 consumidores com renda familiar de até dez salários mínimos (R$ 12.120) quando faziam compras em supermercados da capital paulista, mostra que 52% deixaram de consumir algum produto entre alimentos, bebidas, itens in natura e artigos de limpeza. Com a disparada dos preços, 79% dos entrevistados passaram a levar um volume menor de itens para casa.

O zelador Marcelo Domingos dos Santos, de 50 anos, é um dos que frearam o consumo. Ele gasta hoje R$ 700 na compra de supermercado, sem levar tudo o que precisa para casa, onde vive com a mulher e dois filhos. Até pouco tempo atrás, desembolsava R$ 500 e saía do supermercado com o carrinho cheio.

“Faz um ano que diminuímos o consumo de carne. Até a moída está difícil de comprar”, diz. O iogurte, um dos símbolos da melhora do consumo trazida pelo Plano Real, ele nem lembra quando comprou pela última vez.

Com gasolina cara, opção é o mercado de vizinhança

A mudança de hábito de consumo do brasileiro provocada pela disparada da inflação vai além da redução das quantidades de produtos básicos comprados e da eliminação de outros. Ela atinge também a escolha de quando e onde comprar. É que o forte aumento do combustíveis impôs despesas adicionais com transporte.

Pesquisa do Sincovaga mostra, por exemplo, que 67% dos consumidores estão indo às compras com menos frequência e quase a metade (46%) admite que o aumento do preço do combustível influi na escolha da loja onde faz a despesa.A preferência passou a ser pelo mercado de vizinhança, onde se pode ir a pé. Esse é o local escolhido por 46,3% dos entrevistados, superando os supermercados (29,6%), os hipermercados (22,2%) e até o comércio online (20,4%).

Por causa do movimento menor que há nesses estabelecimentos e o giro mais lento das mercadorias, Álvaro Furtado, presidente do Sincovaga, explica que a loja de vizinhança demora mais tempo para atualizar os preços. Também por esse motivo, a loja de vizinhança ganha a preferência do consumidor num ambiente de inflação alta, argumenta.

Pesquisar preços (75,3%), dar prioridade às promoções (61%) e experimentar marcas mais acessíveis (59,7%) têm sido as estratégias usadas para fazer a compra se encaixar no orçamento.

Troca dobrada

Um resultado da pesquisa que chama muito atenção é que em dois anos, desde o início da pandemia, 67% dos entrevistados já trocaram de marca de produto duas vezes para economizar. “Isso é o retrato da pobreza”, diz Furtado. A troca de marca mostra que quem precisa colocar comida na mesa compra o que o dinheiro permite, afirma. “O duplo downgrade (rebaixamento) de marca aponta a gravidade da situação econômica e social que a gente vive”, diz o consultor de varejo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial.

Além do repique dos preços de vários itens, influenciados pela guerra recente entre Ucrânia e Rússia, o pano de fundo dessas mudanças no consumo, segundo Furtado e Foganholo, é o estrago que a inflação tem provocado na renda, reduzindo a capacidade de compra dos cidadãos.

No trimestre encerrado em fevereiro, o último dado disponível, a renda média real do trabalhador, que inclui também a informalidade, foi de R$ 2.511, um resultado 8,8% menor em relação ao mesmo período de 2021, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua do IBGE.

Esse quadro se repete para os trabalhadores formais de empresas privadas. Nos últimos 12 meses até fevereiro, 55,7% dos reajustes perderam para a inflação, 15,1% conseguiram repor só as perdas e apenas 29,2% superaram a inflação, aponta o “Salariômetro” da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que acompanha os resultados das negociações reunidos pelo Ministério da Economia.

Para Furtado, o momento atual é pior em relação a outros períodos de inflação elevada no passado. Isso porque, embora, defasados, no passado os salários eram corrigidos, o que resgatava o poder de compra do consumidor. “Hoje, no entanto, esse gap (diferença) é grande”, avalia.

Já na opinião de Foganholo, ambos os momentos – da hiperinflação antes do Plano Real e o choque inflacionário atual – são péssimos. No entanto, ele pondera que nos anos 1990 os brasileiros estavam mais preparados para viver num ambiente inflacionário. “Passados mais de 25 anos com inflação domada, infelizmente esse processo voltou e o grande choque é a mudança repentina na qual se percebe que aquela condição que havia para consumir não existe mais.”

9.12.21

Copom aumenta taxa básica de juros para 9,25% ao ano


Com o aumento da inflação, o Banco Central fez mais um ajuste nos juros básicos para tentar segurar a alta dos preços. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou hoje (8) a taxa básica de juros, a Selic, de 7,75% para 9,25% ao ano. A decisão era esperada por analistas do mercado financeiro.

Esse foi o sétimo reajuste consecutivo na taxa Selic, depois de passar seis anos sem elevação. De março a junho, o Copom elevou a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião. Na última reunião, em outubro, o reajuste chegou a 1,25 ponto percentual.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outubro, o índice ficou em 1,25%, o maior para o mês desde 2002 (1,31%). Em 12 meses, o IPCA chegou a 10,67%.

Para o mercado financeiro, o IPCA deve chegar a 10,18%, neste ano. Tanto o resultado em 12 meses quanto a previsão para o ano estão acima do teto da meta de inflação para o ano. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação em 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite superior é 5,25% e o inferior, 2,25%.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.


16.8.21

Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 7,05% este ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA - a inflação oficial do país) deste ano subiu de 6,88% para 7,05%. É a 19ª elevação consecutiva na projeção. A estimativa está no Boletim Focus de hoje (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a projeção para os principais indicadores econômicos.


Para 2022, a estimativa de inflação é de 3,90%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,25% e 3%, respectivamente.

A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior, de 5,25%.

Em julho, a inflação subiu 0,96%, o maior resultado para o mês desde 2002, quando a alta foi de 1,19%. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 4,76%, no ano, e 8,99%, nos últimos 12 meses.

Taxa de juros
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 5,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 7,50% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica mantenha esse mesmo patamar. E tanto para 2023 quanto para 2024, a previsão é 6,5% ao ano.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio
As instituições financeiras consultadas pelo BC reduziram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 5,30% para 5,28%. Para 2022, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 2,04%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,5%.

A expectativa de cotação do dólar se manteve em R$ 5,10 para o final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,20.

18.10.21

Por que está tão caro comer o básico no Brasil?


Uma pesquisa do Datafolha entrevistou 3.667 brasileiros, em 190 municípios, entre 13 a 15 de setembro para saber sobre o consumo de alimentos neste ano.

Entre os entrevistados, 67% relatam terem reduzido a carne bovina; refrigerantes e sucos foram 51%, e lacticínios, como leite, queijo e iogurte foram diminuídos entre 46% da população. Frango, porco e outros tipos de carnes caíram 39%. Nem mesmo o Exército brasileiro deixou de ser afetado pela oscilação no preço dos alimentos, para se ter ideia do impacto disso no cotidiano.

Os alimentos que apresentaram maior estabilidade são os clássicos do prato brasileiro. O arroz, com 41%, e, logo em seguida, o feijão, com 40% dos entrevistados que relataram não terem mudado o consumo.

Segundo estimativas da FGV, em abril de 2021, 27,7 milhões de brasileiros (12,98%) estavam abaixo da linha da pobreza, com renda de R$ 261 mensais (US$ 49). Em 2019, o número era de 23,1 milhões de pobres (10,97%).

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de agosto deste ano, apontam que o custo médio da cesta básica subiu em 13 das 17 capitais analisadas. As mais caras estão em Porto Alegre (RS), com o valor de R$ 664,67, e em Florianópolis, ao custo de R$ 659.

A inflação dos alimentos foi mais severa especialmente com os mais pobres. A avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – responsável por medir a inflação referente ao consumo das famílias, aponta que o custo de vida da classe de renda alta subiu 3% em 2020, enquanto a classe pobre sofreu com o dobro, 6%. A classe média registrou 4%.

Em 2021, o cenário se repete, castigando as pessoas com menos renda. A inflação para este grupo ficou acima de 9%; a classe média com 8%, e atrás as famílias com renda alta, entre 6 a 7%, diz o Ipea.

O IPCA geral fechou em 2020 com avanço de 4,52%, maior taxa desde 2016. A inflação dos alimentos, em especial, foi três vezes maior, com 14,1%.

O que explica a alta da inflação?

O cenário de alta da inflação está ligado às mudanças nos padrões de consumo associadas à pandemia, o timing e o montante alto da transferência pública de renda (auxílio emergencial), os desarranjos das cadeias produtivas, problemas climáticos, a elevação dos preços internacionais das commodities e, principalmente, a disparada do dólar, explica o coordenador científico do Cepea, Geraldo Barros.

Vitor Benites tem 21 anos e trabalha como web designer. Durante a pandemia, ele sentiu o seu poder de compra diminuir. Carnes, óleos e alimentos supérfluos foram os principais alimentos que cortou da lista na ida ao supermercado e algumas medidas foram tomadas para que os alimentos durem mais.

“Agora eu faço a feira a cada duas semanas, evito o desperdício de alimentos, fazendo receitas que aproveitam partes como cascas de vegetais. Compro em quantidades menores e troquei os refrigerantes por sucos, e acabo comendo fora bem menos”, ele conta.

Ligia Soares, 25, é estudante e mora em Curitiba com o namorado. Ela comprava muitas frutas, verduras, grãos variados e carne, mas devido a alta de preço isso se tornou mais escasso. Durante a pandemia os pais de Ligia, que enviavam dinheiro para custear sua estadia em outra cidade, ficaram desempregados, o dinheiro foi diminuindo e ela teve que recorrer ao auxílio emergencial.

Agora ela busca os sacolões de Curitiba, onde compra frutas e verduras por preços bem baixos e assim pode ter uma alimentação mais nutritiva e balanceada. O namorado de Ligia, que trabalha, acaba comprando itens como carne de aves e alimentos mais caros uma vez ao mês, o que fez com que diminuíssem o consumo de proteína animal.

O que explica a instabilidade do mercado?

A insegurança sobre o comportamento imprevisível das instituições – envolvendo os três poderes da República, e seus embates, tem aumentado o risco-país (medidor de instabilidade econômica) e afastado investidores internacionais, explica o coordenador científico do Cepea. Esse cenário explica, em parte, a forte valorização do dólar sobre o Real e a permanência no patamar elevado.

Em janeiro de 2020, a moeda norte-americana estava avaliada a R$ 4, e terminou o ano em R$ 5,18, acumulando alta de 29,33% no ano. Há quem diga que pode chegar a R$ 6 ainda neste ano.

“O Cepea calculou que o efeito do dólar na explicação do choque não esperado de preços dos alimentos no Brasil, foi, em 2020, cinco vezes maior do que o dos preços das commodities”, afirma o pesquisador Barros.

A valorização do dólar afeta toda a cadeia de produtos importados e exportados, além de funcionar como um balizador dos reajustes de preços na economia em momentos de incerteza, afirma Barros. Também entram nessa conta os preços dos combustíveis que afetam, por conseguinte, o frete de todos os bens.

Outro setor que onera fortemente o consumidor de baixa renda é o de transporte urbano, devido ao custo da energia que tem como fonte petróleo e derivados, muito influenciado pelo dólar.

No setor de produção de alimentos, a alta do dólar em geral favorece o segmento exportador, refletido nos dados da balança comercial das exportações do agronegócio em 2020. O faturamento somou US$ 101 bilhões, crescimento de 4% na comparação com o ano anterior, enquanto o volume embarcado subiu 10%, ambos recordes na série histórica do Cepea.

O Brasil teve uma safra de grãos no ciclo 20/21 estimada em 252,3 milhões de toneladas, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar do volume impressionante, o país sofre com uma forte alta no preço dos alimentos.

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Kfoury, afirma que a valorização no preço das commodities foi sentida mundialmente e que os preços no mercado interno não dependem somente da produção brasileira.

“Houve um grande aumento da demanda mundial por alimentos, o que fez com que os preços subissem muito. Além disso, a desvalorização da moeda fez com que os preços dos alimentos aumentassem ainda mais. Desde o início da pandemia, em fevereiro de 2020, os preços das commodities agropecuárias subiram 60%”, explica o professor.

A previsão para os próximos meses sobre os valores dos alimentos não é muito otimista, segundo Kfoury. Os preços no mercado atacadista de produtos agrícolas continuam crescendo e para os próximos meses a expectativa é que permaneçam a subir.

11.8.21

IPCA de julho tem maior alta em quase 20 anos e encosta em 9% em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,96 por cento em julho, após alta de 0,53 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,96% em julho depois de avançar 0,53% no mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

Essa foi o maior resultado para um mês de julho desde 2002, quando a alta foi de 1,19%.

Em 12 meses, a taxa acumulada até julho foi a 8,99%, de 8,35% em junho, indo muito além do teto da meta oficial para este ano — inflação de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O dado também o mais elevado desde os 9,32% atingidos em maio de 2016.


“O mês de julho teve muita influência de energia, combustíveis, monitorados e alimentos. Foi uma alta com várias causas”, explicou o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

“A alta de combustíveis e energia pesou muito no orçamento das famílias ao longo dos últimos meses, além da alta das carnes de mais de 34%. São os principais motivos para a trajetória (da inflação em 12 meses“, completou.

Os resultados ficaram em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,94% na comparação mensal e 8,98% na base anual.

O destaque em julho foi mais uma vez a energia elétrica, que disparou 7,88% no mês de 1,95% em junho. Isso é consequência dos reajustes tarifários de 11,38% em São Paulo, de 8,97% em Curitiba (11,34%), e de 9,08% em uma das concessionárias de Porto Alegre (8,02%).

“Além dos reajustes nos preços das tarifas em algumas áreas de abrangência do índice, a gente teve o reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em todo o país”, destacou Almeida

Com isso, a maior elevação entre os grupos de produtos e serviços pesquisados foi em Habitação, de 3,10% em julho contra 1,10% no mês anterior.

Dos nove grupos, oito tiveram alta no mês, sendo o segundo maior impacto no índice de Transportes, com aumento de 1,52% dos preços — nesse caso, as passagens aéreas passaram a subir 35,22% depois da queda 5,57% em junho. Os preços dos combustíveis também aceleraram o avanço a 1,24% de 0,87% em junho, com alta da gasolina de 1,55%.

A inflação de alimentos também ficou mais forte, chegando a 0,60% em julho de 0,43% em junho, com a alimentação no domicílio passando de 0,33% para 0,78% em julho, principalmente por conta das altas do tomate (18,65%), do frango em pedaços (4,28%), do leite longa vida (3,71%) e das carnes (0,77%).

A inflação de serviços, que também levanta preocupações diante da reabertura do setor após as medidas de contenção ao coronavírus, ficou mais forte, atingindo 0,67% de 0,23% antes.

Diante das pressões inflacionárias, na semana passada, o BC subiu a dose do aperto monetário ao adotar uma alta de 1 ponto percentual na Selic, a 5,5% ao ano, já indicando outro aumento de igual magnitude na próxima reunião do colegiado, em setembro.

Nesta terça, em ata desse encontro, o BC indicou que apertos seguidos e sem interrupção nos juros básicos são necessários para levar a taxa Selic para patamar acima do neutro, para que assim as projeções de inflação fiquem na meta.

De acordo com indicações do próprio BC, a taxa neutra estaria por volta de 6,5%. A autoridade monetária ainda reiterou sua visão sobre a continuidade da pressão sobre bens industriais, mencionando a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos.

7.12.21

Copom inicia reunião para definir taxa básica de juros


Começa nesta terça-feira (7) a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). 

A reunião continua amanhã (8), quando será definida a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a taxa está em 7,75% ao ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. É o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle

A expectativa do mercado financeiro, consultado pelo BC, é que os juros básicos subam 1,5 ponto percentual, para 9,25% ao ano, em decorrência do aumento da inflação. O atual ciclo de alta da Selic começou em março deste ano, quando a taxa subiu de 2% para 2,75% ao ano.

O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Entretanto, as taxas de juros do crédito não variam na mesma proporção da Selic, pois a Selic é apenas uma parte do custo do crédito. Os bancos também consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas

Reuniões 
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a taxa.

Inflação
Para 2021, a meta de inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA), que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior é 5,25%.

Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 10,67%, no resultado acumulado de 12 meses encerrados em outubro deste ano.

9.9.21

Bolsonaro pede liberação de rodovias aos caminhoneiros


O Ministério da Infraestrutura informa a ocorrência de manifestações de caminhoneiros em que 15 estados na manhã de hoje (9). Diante da situação, circulou, entre os caminhoneiros, um áudio com uma mensagem do presidente Jair Bolsonaro pedindo a desmobilização, de forma a evitar desabastecimento e mais inflação.

No último boletim divulgado pelo ministério, com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), “às 8h do dia 9 de setembro de 2021, são registrados pontos de concentração em rodovias federais de 15 estados, com 10% de redução de ocorrência desde o último boletim da madrugada”.

Segundo a nota, os estados onde ainda há manifestações em rodovias são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia. Maranhão, Roraima, Pernambuco e Pará.

Ainda segundo a pasta, a PRF conseguiu liberar a passagem em alguns “corredores logísticos essenciais" nesta manhã: BR-040/Minas Gerais; BR-116/Rio de Janeiro (Dutra/Barra Mansa); BR-040/Rio de Janeiro (Reduc); BR-101/Espírito Santo; BR-376/Paraná; e BR-153/Goiás (Anápolis).

Em Brasília, a Esplanada dos Ministérios está interditada por caminhoneiros, que permanecem sentados na pista, de forma a não possibilitar a passagem de veículos. A liberação da via ainda está sendo negociada com as autoridades. Vários caminhões encontram-se estacionados na lateral e no gramado localizado próximo ao Congresso Nacional.

Em um áudio direcionado aos caminhoneiros, ainda não publicado de forma oficial, o presidente Bolsonaro pediu às lideranças do movimento que desbloqueiem as vias para evitar desabastecimento e aumento da inflação.

“Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham, nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília, aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e em, meu nome dá um abraço em todos os caminhoneiros”, disse o presidente.

Na noite dessa quarta-feira (8), o ministro Tarcísio Freitas confirmou a autenticidade do áudio com a voz do presidente. "Esse áudio é real e de hoje. Ele mostra a preocupação do presidente com a paralisação dos caminhoneiros, que iria agravar efeitos na economia e inflação, e ia impactar nos mais pobres e vulneráveis".

Freitas disse que o país já vive atualmente efeito da pandemia nos preços dos produtos. Segundo ele, "a inflação tem hoje uma componente internacional, e uma paralisação vai trazer desabastecimento, prejudicando a população". "A gente não pode tentar resolver um problema criando outro". "Peço a todos que escutem atentamente as palavras do presidente, e que tenhamos serenidade para pavimentar um futuro melhor. A solução do problema se dará através do diálogo das autoridades. Vamos confiar nessa condução e no diálogo", acrescentou o ministro.

12.7.22

Taxa SELIC: Como o aumento dos juros básicos influenciam no dia a dia do cidadão


Se tem uma coisa que as pessoas constantemente estão comentando e sobre a taxa SELIC e como ela pode impactar o público geral e até mesmo investidores iniciantes, abrangendo também pessoas que conhecem bastante sobre o mercado de investimentos.

Mas existem muitas pessoas que nem ouviram falar sobre essa tal taxa e, mesmo as que já ouviram, existe a possibilidade de nunca terem se interessado ou simplesmente não saber sobre o assunto, motivo pelo qual esse texto está sendo escrito.

Com isso em mente, o texto de hoje irá abordar a Taxa SELIC e como ela pode entrar em alta e ajudar o cidadão comum, explorando o seu conceito e o básico sobre como os juros funcionam e algumas dicas de aplicação.

Desde o cidadão que trabalha com contabilidade especializada em TI até o que trabalha em uma padaria, a taxa SELIC é um assunto que parece complicado e muitos não sabem como funciona na prática, mas é bastante tranquilo de entender.

Também existe o grupo de pessoas que tem interesse em investimentos e sobre os conceitos que envolvem esse mercado mas não conseguiram entender exatamente como funciona ou simplesmente não encontraram um material que sane as suas dúvidas.

Independentemente disso, mesmo uma pessoa que trabalha com outorga e licenciamento ambiental sabe que a taxa SELIC já movimentou bastante o mercado e, mesmo que agora menos pessoas se interessem por ela, isso não significa que se tornou menos importante.

Outro detalhe que precisa ser mencionado é que são diversos os fatores que podem ou não moldar e direcionar a tomada de decisões de um investidor e a SELIC é mais uma dessas variáveis que é preciso acompanhar para garantir a segurança e saúde do seu dinheiro.

Portanto, para melhor compreender sobre ela, os tópicos a seguir irão abordar os seus conceitos, definições e como pode impactar o mercado em si, mostrando como mesmo prestadores de serviços para desconto de títulos factoring podem se beneficiar. Confira.

O conceito da SELIC

De forma simples e bastante direta, conhecemos como SELIC a taxa utilizada pelo Banco Central como instrumento monetário para controlar a inflação. Ela influencia de maneira direta e indireta todos os investimentos e outras taxas de juros do país.

Isso significa que desde investimentos e aplicações, até mesmo sua compra no exterior é de alguma maneira influenciada, mesmo que pouco, pela SELIC e o seu nome se refere diretamente a Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Assim como existem termos em consultoria tributaria contábil, quando falamos da área de juros, é bastante comum ouvir que a taxa está em alta, podendo então ajudar na tomada de decisões de um investidor se é o momento de investir, retirar ou simplesmente não alterar.

O Comitê de Política Monetária, também conhecido como COPOM, a cada 45 dias avalia o atual cenário econômico do país, decidindo se a taxa continua a mesma, se sobe de valor ou se diminui. Quanto mais alta a inflação da nação, maior será a taxa SELIC.

Portanto, mesmo que utilize seu dinheiro para quitar dívidas e investir em sua empresa de declaração de importação, a SELIC sempre estará variando e, independentemente se está alta ou baixa, sempre existe vantagem em conhecer sobre o assunto, como:

  • Entender o melhor momento para investimentos;
  • Acompanhar a variação para fazer empréstimos;
  • Saber o quanto a variação impactará seu investimento;
  • Saber o momento de tirar ou não mexer no dinheiro.

Em outras palavras, quanto mais entender sobre a SELIC e a sua alta, mais seguro e melhor investido o seu dinheiro estará, e mais seguro você ficará para saber o quanto ela pode ou não impactar o seu dia a dia.

Lembre-se que tudo isso está diretamente ligado à inflação e, consequentemente, afeta até mesmo o preço dos serviços de despachante aduaneiro comércio exterior que você contrata, por exemplo.

Pensando nisso, hoje iremos falar justamente sobre essas questões, fazendo com que você entenda sobre a SELIC, e fazendo com que você tenha o conhecimento sobre como ela impacta o cotidiano do cidadão.

Como a SELIC impacta o cotidiano do cidadão?

Agora que já entendemos melhor o que é a Taxa SELIC e como ela funciona, além de alguns benefícios em conhecer o máximo possível sobre o assunto, chegou o momento de melhor entender como ela pode impactar o dia a dia do cidadão comum.

Sendo assim, os tópicos a seguir irão reunir algumas informações sobre o tema de hoje. Sem mais delongas, confira:

01 - Empréstimos para projetos

Independentemente se o empréstimo é para fazer a viagem dos seus sonhos ou para abrir uma empresa como uma consultoria tributária, quando a SELIC está em baixa é uma excelente maneira de não só conseguir o empréstimo, mas para evitar juros altos.

Em tempos onde a SELIC está alta, os créditos e juros são mais altos e isso faz com que as pessoas evitem gastar dinheiro com investimentos e se atenham a pagar suas contas e viverem suas vidas normalmente, o que é indicado até certo ponto.

Portanto, caso opte por financiamentos, você estará pagando mais caro pelo serviço e isso pode prejudicar você. Pense nesses períodos em momentos ideais para juntar dinheiro e investir quando a SELIC baixar, momento esse que normalmente diminui a inflação.

A inflação afeta praticamente tudo que compramos, desde objetos mais comuns até mesmo comida no mercado e provisões, fazendo com que o valor seja mais caro, o que afeta diretamente o salário ao longo do mês e como gastamos ele.

Em outras palavras, assim como uma gestão de patrimonio familiar, o crédito e o financiamento mais caro afetam o quê, como e onde irá comprar, e como será a logística da sua casa ao longo do tempo que ficará pagando o que comprou.

02 - Existe a possibilidade do Dólar cair

Muitas pessoas têm essa pergunta e mesmo que de forma indireta o dólar pode diminuir dependendo de como estiver a taxa SELIC. E, consequentemente, isso significa que o cidadão comum pode pagar mais barato em diversos produtos.

Pensemos que quando a taxa SELIC está com um valor alto, isso tende a atrair um número maior de investimentos para o nosso país, fazendo com que tais investimentos façam com que o real seja mais valorizado e o dólar caia.

Quando o dólar está mais baixo, é necessário lembrar que não apenas os produtos que importamos dos países diminuem o seu preço, mas também diversos produtos nacionais que, consequentemente, são importados pelos vendedores e suas lojas.

03 - Você pode investir na SELIC

Como dito algumas vezes ao longo do texto, a SELIC é uma taxa que acaba influenciando praticamente tudo em nosso país e, mesmo que você não possa investir diretamente nela, é possível através de alguns títulos indexados a mesma começar o seu investimento.

A alguns anos atrás, se tornou bastante comum que as pessoas investissem no tesouro nacional e, através da SELIC, deixavam seu dinheiro lá ao invés de poupanças, rendendo conforme o tempo passava através de taxas baixas. Melhor do que deixar o capital parado.

Mas caso essa ainda não seja a sua vontade, é possível investir em outros tipos de títulos privados como LCIs, LCAs, CDBs, sem mencionar os prováveis CDI que são bastante semelhantes à taxa SELIC.

Claro que nesse caso em especial, é preciso estudar e entender a probabilidade de variação, se pode retirar o dinheiro antes, o quanto você perde com isso.

Mas isso pode afetar diretamente o cidadão comum, afinal, quando o mesmo aprende a investir, uma horizontes de novas possibilidades se abrem para ele.

Considerações Finais

O texto de hoje contextualizou o que é a taxa SELIC e como o aumento dela pode influenciar diretamente o cidadão brasileiro de todas as maneiras possíveis, explorando o seu conceito, as possibilidades e também as vantagens de aprender sobre o investimento.

Claro que tudo isso que foi mencionado ao longo do texto dependerá bastante de como cada pessoa investirá e procurará entender sobre os juros, mas tenha em mente que a inflação é sua principal inimiga e deve estar atento às suas variações.

Procure então não apenas entender como ela funciona mas também a, caso se sinta confortável, começar a investir de maneira tímida até entender como funciona exatamente e ter total segurança sobre a taxa e todas as suas funcionalidades.

Esperamos que o texto de hoje tenha sido bastante informativo. Utilize-o como orientação para aprender ainda mais sobre a taxa e como você pode se beneficiar dela nos períodos corretos.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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