Você acaba de cruzar a fronteira entre o que é real e o que é meramente percebido. No domínio do SHD: Seja Hoje Diferente, o tempo não corre; ele se dobra. Sob a vigilância de Kaizen o Camaleão de Óculos, o observador que caminha entre planos, as leis da ciência dão lugar aos ecos do invisível. O véu da realidade acaba de rasgar. O que você fará com os códigos que encontrar em Como fugir das metas vazias e começar o ano implementando a gestão por OKR - Por Pedro Signorelli.
Todo começo de ano é o mesmo ritual nas empresas: reuniões intermináveis, apresentações abarrotadas de gráficos e uma longa lista de metas que prometem revolucionar o negócio. Crescer X%, reduzir custos em Y%, ganhar eficiência, inovar, engajar pessoas. No papel, tudo parece fazer sentido. Na prática, porém, boa parte dessas metas morre antes do Carnaval — isso para aquelas empresas que conseguem fechar este processo dentro deste prazo, que são poucas. E quando vão ver, em junho, as metas já perderam sentido. Não por falta de esforço, mas porque são metas vazias, desconectadas da estratégia, do dia a dia das equipes e da tomada de decisão real e muitas vezes já testadas em anos anteriores.
Metas vazias são aquelas que existem apenas para cumprir um calendário ou satisfazer um planejamento formal. Elas não orientam prioridades, não ajudam a escolher o que não fazer e tampouco criam senso de progresso. São números isolados, impostos de cima para baixo, que não respondem à pergunta básica de qualquer organização: o que realmente precisa mudar este ano para que o negócio avance? É justamente nesse ponto que a gestão por OKR (Objectives and Key Results) deixa de ser uma moda importada do Vale do Silício e passa a ser uma ferramenta estratégica poderosa. OKR não é sobre listar indicadores, nem sobre controlar pessoas. É sobre foco, alinhamento e aprendizado contínuo.
O primeiro erro de quem tenta implementar OKR é tratá-lo como um sistema sofisticado de metas. OKR não começa por números, começa pelas escolhas. O “O”, de Objective, deve expressar uma ambição clara, qualitativa e inspiradora, algo que mobilize o time e traduza a estratégia em linguagem compreensível. Se o objetivo não gera conversa, debate e alinhamento, ele já nasce fraco.
Os Key Results vêm depois, e aqui está a grande diferença em relação às metas tradicionais. Eles não são tarefas ou desejos genéricos. São evidências mensuráveis de que o objetivo está sendo alcançado. Um bom Key Result elimina a subjetividade e cria clareza: ou avançamos ou não avançamos. E isso muda completamente o jogo da gestão, porque desloca o foco da intenção para o impacto.
Outro ponto central para fugir das metas vazias é entender que OKR não é um exercício anual engessado. Implementar OKR no começo do ano não significa escrever tudo em janeiro e só revisitar em dezembro. Pelo contrário. OKR funciona em ciclos curtos, com acompanhamento frequente e espaço para ajustes. Em um cenário de incerteza, insistir em metas imutáveis é menos sinal de disciplina e mais de teimosia estratégica.
Também é preciso romper com a cultura de que as metas servem apenas para cobrança. Quando OKR é usado como instrumento de punição ou avaliação individual, ele perde sua essência. OKR é um sistema de aprendizado organizacional. Errar um Key Result não é fracasso automático; é informação. A pergunta certa não é “quem errou?”, mas “o que aprendemos e o que faremos diferente no próximo ciclo?”.
Começar o ano com OKR exige, acima de tudo, maturidade de liderança. Exige líderes dispostos a explicitar prioridades, assumir escolhas difíceis e abrir mão da ilusão de controle total. Exige diálogo entre áreas, transparência e coragem para dizer não ao que não contribui para os objetivos estratégicos. Maturidade não quer dizer que já sabe usar, mas que sabe que leva tempo até os indivíduos, os times e, ao final, a organização terem aprendido como usar bem.
Fugir das metas vazias não é sobre adotar uma nova ferramenta, mas sobre mudar a lógica da gestão. OKR funciona porque obriga a organização a conversar sobre o que importa, medir o que gera impacto e aprender com o caminho. Para quem quer começar o ano de forma diferente, menos burocrática e mais estratégica, a gestão por OKR não é uma promessa milagrosa. É um convite à clareza.
Pedro Signorelli é um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas.



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