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Nesta reflexão, quero compartilhar minhas ponderações acerca da aprovação da urgência do Projeto de Lei 3780/2023, de autoria do deputado Kim Kataguiri (União-SP), que visa ao aumento das penas para os crimes de furto e roubo. Sou Alessandro Turci, criador do Seja Hoje Diferente Comunicação e Conteúdo, e ao longo dos anos, tenho acompanhado debates sobre segurança pública e a legislação penal no Brasil.

A notícia da aprovação da urgência desse projeto na Câmara dos Deputados, em um prazo tão curto desde sua apresentação, levanta questões importantes sobre a eficácia e o impacto de políticas penais mais rigorosas. Devo admitir que a proposta apresentada pelo deputado Kataguiri chama a atenção ao sugerir penas significativamente mais severas para crimes de furto e roubo. No entanto, essa abordagem levanta uma série de questões complexas e merece uma análise mais aprofundada.

Em primeiro lugar, é crucial questionar se o aumento das penas realmente atua como um fator dissuasório eficaz. A história da legislação penal nos mostra que, muitas vezes, penas mais severas não resultam necessariamente em uma redução da criminalidade. Ao invés de coibir a atividade criminosa, tais medidas podem apenas sobrecarregar ainda mais o sistema carcerário sem abordar as causas subjacentes do crime.

Além disso, o argumento de que as penas atuais não são suficientes para coibir a ação criminosa deve ser analisado com cautela. A criminalidade é um fenômeno complexo que envolve diversos fatores sociais, econômicos e psicológicos. A certeza da impunidade certamente pode influenciar a decisão de cometer um crime, mas também é crucial entender que muitos criminosos não ponderam detalhadamente as penas antes de agir. Abordar a criminalidade de forma eficaz requer uma abordagem mais holística, que englobe prevenção, educação, oportunidades econômicas e suporte social.

Além disso, a referência à progressão do regime de cumprimento da pena é relevante. A discussão sobre a reforma do sistema carcerário é urgente e pertinente. No entanto, simplesmente aumentar as penas sem abordar a superlotação das prisões, a falta de programas de ressocialização e a falta de acesso a oportunidades pós-prisão pode não trazer os resultados esperados.

É interessante notar também o apensamento desse projeto a outro, de autoria do então deputado Walter Alves (MDB-RN), que atualmente é vice-governador do Rio Grande do Norte. Isso destaca a continuidade e a evolução das discussões legislativas sobre a criminalidade ao longo do tempo, independente das mudanças de mandato.

Em conclusão, enquanto a intenção de combater a criminalidade é nobre, a abordagem de aumentar drasticamente as penas para furto e roubo merece um debate mais amplo e informado. É crucial considerar os dados, a pesquisa acadêmica e as experiências de outros sistemas penais ao redor do mundo. Em vez de confiar exclusivamente em penas mais severas, nossa sociedade deve buscar soluções que abordem as causas subjacentes da criminalidade e promovam uma justiça mais equitativa e eficaz para todos os cidadãos. A legislação penal deve ser guiada pelo conhecimento, pela empatia e pela busca por um sistema mais justo e seguro para todos.

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