Mais de 70 milhões de pessoas no mundo possuem algum distúrbio alimentar, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria

Com a grande presença da internet na vida das pessoas, é mais fácil acompanhar as principais tendências em diversos temas, desde uma peça nova inusitada, a cor que marcará presença na estação até o padrão do corpo a ser seguido. Por questões culturais e históricas, cada sociedade estabelece os seus padrões de beleza, e com a volta da época Heroin Chic dos anos 1990 e começo dos 2000, o foco são corpos extremamente magros, gerando uma busca por recursos que ajudem a alcançar esse novo padrão.

Nessa procura por métodos de emagrecimento, alguns medicamentos têm sido utilizados com essa finalidade, muitos vendidos sem receita e encontrados em qualquer farmácia. Alguns criados para o tratamento de diabetes Tipo 2, oferecem benefícios como a perda de peso, de forma acelerada e sem esforço. Mas é preciso estar atento, pois o uso de tais medicamentos podem trazer consequências para o corpo e mente, como no desenvolvimento de transtornos mentais, como a Anorexia Nervosa, Bulimia, ansiedade e até mesmo a depressão.

“Fazer de um tipo físico uma tendência de comportamento e estilo de vida é prejudicial à saúde. Como uma forma de se sentirem inseridas na sociedade, as pessoas são capazes de buscarem os mais diversos métodos para atingir os seus objetivos, que podem colocar a saúde em risco e predispor a um distúrbio alimentar”, aponta a psicóloga Ana Gabriela Andriani.

A Anorexia e Bulimia são os transtornos que causam as maiores taxas de mortalidade dentre os transtornos mentais, ambos são condições alimentares psiquiátricas, caracterizadas por uma mudança persistente nas refeições ou em comportamentos relacionados aos hábitos alimentares e a distorção de imagem. A Anorexia é a restrição severa da alimentação, atinge jovens das faixa etárias de 12 à 17 anos, sendo a maioria mulheres, já a Bulimia é o consumo de muitos alimentos em um  espaço curto de tempo e, em seguida, são utilizado “métodos compensatórios” para evitar o ganho do peso, como indução do vômito e uso de laxantes, esse transtorno costuma afetar pessoas no início da fase adulta. 

A pressão o tempo todo para atingir o padrão de beleza estabelecido na sociedade, é capaz de predispor a pessoa a uma ansiedade e depressão,provando que a mente também pode ser prejudicada nesse caminho para a magreza, pois suas emoções são atingidas  e enfraquecidas quando a meta não é atingida da forma que foi idealizada, chegando a uma fase onde as emoções negativas acabam controlando a vida. Outro transtorno comum que pode ser desenvolvido é a Dismorfia Corporal, na qual o indivíduo fica encontrando defeitos pequenos ou imaginários em seu próprio corpo, buscando diversas formas de soluções, como malhar excessivamente ou optar por procedimentos cirúrgicos. 

“O equilíbrio é a palavra-chave quando se trata do corpo, magreza não é sinal de saúde! Mudar o corpo por conta de uma tendência na qual a mídia impõe é um descuido com si mesmo, o ponto é aprender a se aceitar, focando apenas na saúde mental e física, independente do seu biotipo. Brincar com a alimentação, ingerir medicamentos duvidosos e dietas malucas podem ocasionar problemas gravíssimos. Caso a pessoa já tenha desenvolvido algum transtorno alimentar, é recomendado um trabalho multidisciplinar junto a um nutricionista, psicólogo, psiquiatra e um educador físico”, conclui Ana.

Sobre Ana Gabriela Andriani - CRP 06/58907 

É psicóloga formada pela PUC- SP, Mestre e Doutora pela Unicamp, especialista em terapia de casal e família pela Northwestern University - EUA, especialista em Psicoterapia Breve pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, e membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise.

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