Tecnologia pode revolucionar o monitoramento de pacientes neurológicos críticos; dispositivo que utiliza aplicativo de celular para leitura de dados permite a conectividade de maneira prática no ambiente hospitalar e reduz riscos de infecção e hemorragias

Uma pesquisa inédita desenvolvida na Universidade Positivo (UP), em Curitiba, pretende revolucionar o tratamento de pacientes neurológicos graves. Trata-se de um sensor intracraniano em fibra óptica, sem cabos, com conectividade Wi-Fi que mede a pressão cerebral em tempo real e manda os resultados para um aplicativo de celular. Fruto do doutorado do médico e neurocirugião Erasmo Barros da Silva Junior, na linha de Biotecnologia Industrial, a pesquisa foi publicada na Neurosurgery, uma das revistas médicas mais importantes do mundo na especialidade. 

“É a primeira descrição científica em um ser vivo (animal) de um sensor intracraniano de fibra óptica com conectividade via Wi-Fi. Ainda não há tecnologia aplicada dessa forma na medicina; o que temos atualmente está muito defasado frente ao avanço tecnológico em que vivemos”, explica o médico.

A monitorização invasiva da pressão intracraniana (PIC) foi iniciada na década de 60, por meio do implante temporário de um micro transdutor com cabos no cérebro para orientar a assistência ao paciente neurológico sob cuidados intensivos. Nos últimos vinte anos, a monitorização por telemetria vem sendo amplamente estudada. “Existem apenas dois dispositivos implantáveis sem fio de altíssimo custo - e que não estão disponíveis no Brasil -, destinados para pacientes ambulatoriais crônicos e com conectividade muito limitada”, explica Silva.

Já o sensor de fibra óptica sem fio que está em desenvolvimento pela equipe de Silva, na Universidade Positivo, traz uma evolução tecnológica para a medicina: por meio de sensor totalmente implantável no cérebro será possível receber dados sobre a pressão incracraniana em um aplicativo de smartphonhe, com detalhes e em tempo real. “O primeiro benefício é o conforto dos pacientes neurológicos graves que estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Retirando os cabos dos sensores, também temos a redução de complicações como infecção e hemorragias. Não podemos aceitar que em pleno século XXI ainda dependamos tanto de cabos para assistir nossos pacientes. É preciso modernizar a medicina”, aponta o pesquisador.

Os sensores intracranianos para medir a pressão cerebral sem fio são estudados há várias décadas, no entanto, conforme o neurocirurgião, falta integração entre as equipes de medicina e engenharia. “Isso nós conseguimos nesta pesquisa. Para se ter uma ideia, os únicos sensores sem fio para pressão intracraniana que existem hoje foram desenvolvidos no início dos anos 2000 e não usam Wi-Fi ou bluetooth, portanto, estão totalmente defasados, e mais, não foram desenvolvidos para uso em pacientes graves. Estes sensores também são muito caros, não sendo acessíveis à maioria da população. Estamos desenvolvendo um dispositivo tecnológico, atual, e com futuro preço justo”, pontua.

Revolução na Medicina: de acordo com o médico orientador do estudo e responsável pela Linha de Pesquisa e Inovação Médica do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PPGBiotec) da Universidade Positivo, Marcelo de Paula Loureiro, a utilização desse tipo de tecnologia irá modernizar não apenas os tratamentos de pacientes neurocríticos, mas também outras situações da medicina atual que necessitam de novas tecnologias. “É uma linha de pesquisa inteira que está se abrindo. Do ponto de vista de conectividade, a tecnologia pode ser utilizada em pacientes que estão em UTI, diminuindo o uso de aparelhos com cabos e monitorando-os via Wi-Fi. Já nos ambulatórios, teremos a possibilidade de usar sensores ou adesivos para medir a pressão arterial, batimentos cardíacos, glicemia, por exemplo, tudo por meio de aplicativo com resultados que irão direto para a nuvem”, destaca.

Incentivo à Pesquisa: a pesquisa acabou de passar pela etapa de validação pré-clínica com estudos em animais, comprovando a eficiência e viabilidade do protótipo. A próxima fase será aperfeiçoar o protótipo para uma monitorização mais prolongada e depois partir para os estudos clínicos. Na sequência, será feita a validação pela Anvisa. Segundo o neurocirurgião Erasmo Silva, com o devido fomento, a estimativa é que a tecnologia esteja pronta para uso em até cinco anos. “Estamos levantando recursos para iniciar a próxima fase ainda neste ano. Sem pesquisa não há evolução. A medicina translacional, ou seja, essa ponte entre médicos com outras áreas, é de extrema importância para melhorar os dispositivos que usamos no ambiente hospitalar. Com esse sensor, poderemos beneficiar milhares de pessoas vítimas de acidentes ou que têm doenças graves e precisam de monitoramento em UTI”, enfatiza. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Orakolo Tecnologia, de Curitiba, a BMR Medical e, indiretamente, e com o Instituto de Neurologia de Curitiba.

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