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Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais originais e singulares que costumam ser feitas por indivíduos em todos os tempos e em todas as civilizações, movidos por um eterno desejo de saber como seria o presente se ele já fosse passado.

A definição mais comumente aceita de uma Escola Literária é aquela que a trata como “um conjunto de manifestações ligadas à literatura, com características e particularidades comuns, próprias de um tempo ou de um recorte específico da história”.


A Divina Comédia, de Dante (séc. XIV), é uma obra-prima do Humanismo difícil de ser categorizada

No entanto, a coisa não é tão simples assim, já que uma Escola Literária só irá apresentar-se como tal após passar pelo cadinho depurador do tempo. 

Serão necessárias algumas décadas, séculos, ou talvez até milênios, para que, ao olhar para trás, possamos realmente identificar as características literárias que marcaram um determinado tempo da história.

Estas características geralmente concordam quanto à língua utilizada, aos temas mais recorrentes e às figuras de linguagem mais comuns.

Além das questões sociais mais abrangidas, as ideologias e peculiaridades dos principais autores, entre outras características que formem um “todo” que possa ser analisado como tal.

Mas, como então, poderíamos caracterizar a Escola Literária na qual vivemos atualmente?

Como dissemos, são muitas as considerações que devem ser feitas para que se possa ter a ousadia de tentar definir qual seria a Escola Literária na qual vivemos nos dias atuais. 

O comumente aceito é que a classificação de uma Escola Literária feita no tempo presente seja “por tendências” ou como “indefinida”.

Mas há estudiosos que são categóricos ao afirmar que tal classificação é impossível de ser feita sem o distanciamento necessário do tempo.

E há também os que utilizam a técnica de analisar o conjunto de tendências, realidades psicológicas e movimentos sociais e econômicos de um recorte da história.

E com base no montante da produção literária do período atual eles classificam a Escola Literária na qual vivemos atualmente como uma espécie de “Pensadorismo” ou “Originalismo”. 

O artista faz uma espécie de “arrumação artística” do seu pensamento, sem prender-se a fórmulas, regras, padrões, rigores e exigências estéticas.

Temos aqui apenas e tão somente o livre transcorrer do pensamento de homens e mulheres hoje considerados bem mais narcisistas, individualistas e “livres-pensadores” por natureza.

Além de afeitos a uma produção artística onde a verdade, a crítica da crítica e a reflexão sejam os grandes motores impulsionadores das suas obras. 

E mais: O Pensadorista ou Originalista estaria interessado em produzir uma obra que analise a natureza intrínseca das coisas, por meio de uma detida e criteriosa reflexão sobre tudo o que o cerca. 
Mas sem qualquer pretensão de dar respostas, apenas perguntas, que deverão, necessariamente, ser respondidas pelos leitores.


Shakespeare, gravura de Martin Droeshout

O Originalismo na Escola Literária dos dias atuais

Na opinião de alguns estudiosos, o Originalismo é o fenômeno por trás da Escola Literária supostamente vivida nos dias de hoje.

A ideia dos Originalistas, de acordo com esses pesquisadores, é pinçar o que houve de mais original em cada Escola Literária definida em cada período desde a Antiguidade Clássica.

Um poeta Originalista (e necessariamente Pensadorista) geralmente busca reproduzir as qualidades intelectuais de próceres como Da Vinci, Camões, Michelangelo, Cervantes, Shakespeare, Ariosto, dentre tantos outros.

Mas apenas para extrair-lhes a essência criativa, a simplicidade, originalidade, naturalidade e facilidade de comunicar-se com o púbilco.

Um poeta Pensadorista, por exemplo, poderá usar as rimas em oitava ou não fixar-se a regra alguma. Mas ele deverá, sem dúvida, fazer perguntas, tratar do amor em sua essência, e geralmente trata dos costumes cotidianos como um documento da realidade do aqui e do agora.

Como pensa a juventude? Qual o sentido do amor carnal? Quais críticas merecem as aspirações dos homens? O que o passado nos pode ensinar? O que é a verdade?

Tudo isso pode ser transposto num Soneto, em um verso livre ou branco, em cartas, poemas em prosa ou em verso, num romance, crônica, conto, e onde quer que possa servir como veículo para um pensamento crítico acerca da “natureza intrínseca das coisas”.


A reflexão sobre a natureza intrínseca de tudo o que nos cerca. 

Por meio de pseudônimos, heterônimos, ou até mesmo de uma identidade real, o escritor dos dias atuais comunica-se de forma o mais direta possível com os leitores, sempre de forma a realizar uma “arrumação artística” do seu pensamento.

Ele procura trazer o que há de mais rico, original, profundo e fincado nas raízes do que verdadeiramente podemos chamar de arte: “tudo aquilo que brota da alma e que procura comunicar-se com a alma de outrem”.

O escritor deverá trazer à tona a “voz subterrânea” do espírito para uma comunicação direta com o espírito do leitor, com ou sem uma tradução para a realidade concreta e palpável.

Isso porque, para o artista dessa suposta Escola Literária na qual vivemos, tal “realidade concreta” não passaria de uma construção.
Ela seria mais uma “Representação” (como queria Schopenhauer) que pode ser modificada, piorada ou melhorada, a partir de iniciativas das mais diversas, controversas e impensadas.

As características de uma Escola Literária

A “Crítica Literária” é a ferramenta utilizada pelos estudiosos  para um estudo sobre a Literatura. Logo, é ela também que irá definir o que seria uma Escola Literária. 

E ela faz isso definindo-a como “O conjunto de manifestações ligadas à literatura e unidas por laços e características comuns”.
Uma Escola Literária será definida como tal caso demonstre, a partir de um olhar distanciado no tempo, um concordância estética, uso de temas comuns e figuras de linguagens recorrentes.

Assim como também deverá demonstrar a definição do papel social dessa Escola, o contexto histórico em que as obras foram escritas, a natureza filosófica ou psicológica dos autores (e dos leitores) da época, entre outras características.

Dessa forma, teremos, de forma bastante visível, a cristalização de um “todo”, de um sistema – como os sistemas dos sécs. XV, XVI e XVII, em que várias características concordam e constituem-se como um Movimento Literário realizado por um conjunto de autores com pensamentos afins.

E é nesse contexto também que cabem os gênios – aqueles que antecipam Escolas Literárias; como, para muitos, teria feito Baudelaire, Machado de Assis, John Milton, Lima Barreto, Flaubert, dentre tantos outros que mal conseguimos encaixar em tal ou tal Escola Literária.

A cristalização de um sistema

Portanto, quando, séculos depois, percebeu-se que houve todo um movimento poético e literário lá pelos idos do séc. XI na Europa, com uma linguagem culta, irreverente e satírica.

Pregando o amor espiritual e idealizado, além de mordaz em sua abordagem do homem e da mulher do período medieval, convencionou-se chamar essa Escola Literária de Trovadorismo.
Da mesma forma, após investigar o modo pelo qual, no final do séc. XIX, também na Europa, os poetas e escritores fizeram uma espécie de reação ao Romantismo e ao Neoclassicismo. Quando se percebeu que naquele período houve uma concordância de estilos e de temáticas. 

Quando ser percebeu também que a palavra de ordem era romper com os modelos do passado e tratar da realidade das classes baixas e também das classes médias da população. O nome dado a esse movimento ou Escola Literária foi o de Realismo. 

Enfim, por tudo o que vimos até aqui, a definição da Escola Literária atual como Pensadorista ou Originalista deverá ser acolhida como uma espécie de tentativa de explicar o “fazer literário” dos nossos dias. 

Pois somente o tempo será capaz de “bater o martelo” sobre o Movimento de Época vivido pelos homens e mulheres do séc. XXI.
Caberá a ele (o Tempo) dar a sua definição do movimento que se constituiu nos nossos dias. Se é que isso será verdadeiramente possível, tal o caráter vaporoso, líquido, artificial e fluido da sociedade na qual vivemos nos dias atuais.

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