![]() |
| Comunicação Assertiva por Alessandro Turci |
Você pratica comunicação assertiva ou apenas fala muito? Descubra um olhar profundo sobre o tema em conteúdo revisado.
Comunicação Assertiva: o que ninguém percebe
Este artigo foi atualizado em Junho/2026.
Todas as noites, sentado no meu refúgio particular em Ermelino Matarazzo, enquanto o estalo de um disco de vinil preenche o silêncio entre um pensamento e outro, percebo algo curioso: as pessoas raramente sofrem por falta de informação. Sofrem porque não conseguem transformar o que sabem em algo que realmente alcance o outro. O problema não está apenas nas palavras. Está no espaço invisível entre quem fala e quem escuta.
A comunicação assertiva costuma ser definida como a capacidade de expressar ideias, sentimentos e necessidades de forma clara e respeitosa. A definição está correta, mas incompleta. Na prática, ela envolve algo muito mais profundo: a coragem de sustentar quem somos sem a necessidade de dominar ninguém e sem o medo de desaparecer diante da opinião alheia.
Talvez por isso tantas conversas terminem em mal-entendidos. Alguns falam para vencer. Outros falam para agradar. Poucos falam para construir pontes. Quando observo essas dinâmicas, lembro de algo que Carl Gustav Jung sugeria ao abordar os aspectos ocultos da personalidade: frequentemente não enxergamos os outros como eles são, mas como nossas próprias sombras permitem enxergar.
Existe uma armadilha silenciosa na vida adulta. Com o tempo, acumulamos experiências, certezas e justificativas. Passamos a acreditar que comunicar é apenas transmitir conteúdo. Mas a verdade é que comunicar é também traduzir emoções, contextos e intenções. Sem essa tradução, as palavras chegam ao destino como cartas sem endereço.
Curiosamente, estudos publicados na base SciELO destacam a assertividade como uma habilidade social fundamental para o desenvolvimento humano e para a prevenção de problemas psicossociais. As pesquisas mostram que pessoas com níveis mais elevados de assertividade tendem a estabelecer relações interpessoais mais saudáveis e equilibradas.
Quando penso nisso, gosto de imaginar uma antiga instalação elétrica. Se houver resistência demais, a energia não circula. Se houver interrupções no circuito, a corrente não chega ao destino. Nas relações humanas acontece algo semelhante. A arrogância cria resistência. A hesitação excessiva interrompe a continuidade. Em ambos os casos, a luz não acende.
A cultura pop também oferece exemplos fascinantes. Em Star Wars, Darth Vader e Luke Skywalker possuem acesso a conhecimentos semelhantes sobre a Força. A diferença está na forma como lidam com seus conflitos internos. Um tenta impor sua verdade. O outro aprende a dialogar com suas próprias contradições. A verdadeira força nunca esteve apenas no poder, mas na capacidade de integrar luz e sombra.
Esse processo tem relação direta com a individuação, conceito junguiano que descreve a jornada de integração das múltiplas partes da personalidade. Quanto mais alguém se conhece, menos precisa gritar para ser ouvido. A clareza substitui a necessidade de volume.
Nos dias atuais, essa reflexão se torna ainda mais necessária. Vivemos cercados por mensagens instantâneas, opiniões rápidas e julgamentos automáticos. Muitas vezes, confundimos velocidade com profundidade. Basta observar os cenários apresentados na série Black Mirror. Em diversos episódios, a tecnologia amplia uma característica humana já existente: a dificuldade de estabelecer conexões genuínas. Não é a ferramenta que falha. É o uso inconsciente dela.
Existe outra descoberta interessante na literatura psicológica. Estudos disponíveis na PePSIC apontam que comportamentos inassertivos estão frequentemente associados a dificuldades emocionais e relacionais, demonstrando que a forma como nos expressamos influencia diretamente nosso bem-estar psicológico.
Por isso, quando aplico a filosofia do SHD — analisar, pesquisar, questionar e concluir — percebo que toda conversa importante merece um olhar mais atento. Antes de responder, vale perguntar: estou tentando compreender ou apenas reagir? Estou ouvindo a mensagem ou preparando minha defesa?
A resposta para essas perguntas costuma revelar muito mais do que imaginamos.
Outro aspecto frequentemente ignorado é o papel dos hábitos. Ninguém desenvolve comunicação assertiva da noite para o dia. Ela nasce de pequenas escolhas repetidas. Da decisão de ouvir até o fim. De fazer perguntas antes de tirar conclusões. De reconhecer quando erramos. De dizer "não" sem culpa e "sim" sem ressentimento.
A empatia também entra nessa equação. Mas não aquela versão superficial que apenas concorda com tudo. A verdadeira empatia exige presença. Significa compreender a experiência do outro sem abandonar a própria identidade. É um equilíbrio delicado, semelhante ao de um músico que escuta toda a banda sem deixar de tocar seu instrumento.
Talvez seja justamente aí que muitas pessoas encontrem seu propósito relacional. Não no desejo de convencer, mas na capacidade de criar entendimento. Afinal, algumas das transformações mais importantes da vida começam em uma conversa aparentemente comum.
Quando olho para trás, para as histórias acumuladas ao longo dos anos neste mesmo quintal da Zona Leste onde cresci, percebo que os momentos mais marcantes raramente foram aqueles em que alguém tinha razão. Foram aqueles em que alguém conseguiu estabelecer uma conexão verdadeira.
E talvez essa seja a grande lição. A comunicação assertiva não é uma técnica para controlar pessoas. É uma prática de consciência. Quanto mais aprendemos a escutar nossas sombras, mais compreendemos as limitações dos outros. Quanto mais nos conhecemos, mais simples se torna dizer exatamente o que precisa ser dito.
No final das contas, a qualidade da nossa vida costuma ser determinada pela qualidade das conversas que temos — inclusive aquelas que acontecem dentro de nós mesmos.
Perguntas e Respostas
Como saber se estou sendo assertivo ou apenas tentando impor minha opinião?
O melhor indicador é observar sua intenção. Quando existe espaço para ouvir, refletir e eventualmente mudar de posição, há assertividade. Quando existe apenas a necessidade de vencer, provavelmente existe imposição.
É possível ser empático sem concordar com alguém?
Sim. Empatia não significa concordância. Significa compreender a perspectiva do outro sem necessariamente adotá-la. Essa distinção é um dos pilares das relações maduras.
O que aprendemos?
- Assertividade não é agressividade nem passividade; é equilíbrio consciente entre expressão e respeito.
- O autoconhecimento reduz conflitos porque aumenta a clareza sobre intenções, limites e emoções.
- Conversas transformadoras surgem quando ouvir se torna tão importante quanto falar.
Se este conteúdo despertou novas reflexões, continue explorando outros artigos. A evolução pessoal não acontece em um único insight, mas na construção diária de novos olhares.
Transforme sua visita em um hábito de aprendizado, descoberta e crescimento contínuo.
Por acaso você já leu?

Postar um comentário
Para serem publicados, os comentários devem ser revisados pelo administrador *