"Se a educação infantil é a etapa mais importante da trajetória educacional, é ali que devem estar os profissionais com a melhor formação", explica o psicopedagogo e especialista em desenvolvimento infantil, Junior Cadima

Que a educação e os profissionais da área não são valorizados como deveriam no Brasil, todos sabem. Salários defasados, salas de aula sem estrutura adequada e falta de material de apoio ainda são o cenário de muitas instituições de ensino por todo o país. E quando o assunto é educação infantil, até surge a pergunta: é necessário ter formação acadêmica para atuar em sala de aula com crianças entre dois e cinco anos? A resposta, embasada em centenas de estudos e pesquisas, é que sim, embora nem toda liderança política demonstre esse entendimento. Em uma recente entrevista concedida a uma rádio local, o Prefeito de Chapecó, João Rodrigues, declarou que “na creche não é preciso ter professor pós-graduado e sim cuidadores”. 

“A educação infantil é a base de tudo. Garantida por lei, ela é a etapa mais importante da educação e da formação do indivíduo. Comparar o trabalho de uma cuidadora, que fica em casa com uma criança de dois anos, à atuação do professor, que está em sala de aula com alunos nesta faixa etária é um grande equívoco, explica o psicopedagogo e especialista em desenvolvimento infantil, Junior Cadima, citando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que aponta que crianças que têm as experiências, interações, ensinamentos e ferramentas certas, terão acesso a um desenvolvimento integral e estarão muito mais preparadas para aprender nas próximas etapas da educação.

As estatísticas mostram que, no Brasil, a formação dos profissionais que atuam em sala de aula com as crianças de dois a cinco anos tem melhorado, mas ainda está longe de abranger todos os profissionais atuantes. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica em 2020, no ensino infantil, dos 593 mil docentes, 79,1% possuíam graduação. Nessa etapa, o crescimento no percentual de docentes com nível superior completo foi gradual, partindo de 64,1%, em 2016. Na data do levantamento, o percentual de professores com curso de ensino médio normal ou magistério era de 14,3%. 

De acordo com Junior Cadima, a formação acadêmica dos professores e a frequente atualização é imprescindível para que o ensino esteja em processo constante de melhoria. “É essencial que o professor estude e busque qualificação para assegurar a qualidade do que está sendo ensinado por ele em sala”. Assim, a formação acadêmica trará as ferramentas adequadas para que os professores desempenhem seu trabalho, auxiliando nos desafios do dia a dia e em suas tarefas diárias, como:

1 – Planejar, elaborar e propor atividades e brincadeiras que desenvolvam habilidades a atinjam os objetivos de aprendizagem;

2 – Saber o que é esperado Base Nacional Comum Curricular durante a educação infantil para que os alunos desenvolvam o conjunto de aprendizagens essenciais nesta etapa;

3 – Registrar a evolução de cada aluno e ter um olhar atento ao seu desenvolvimento integral em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade;

4 – Observar de forma sistemática e individualizada cada criança para acompanhar de perto o seu desenvolvimento.

“Se a educação infantil é a etapa mais importante da trajetória educacional, é ali que devem estar os professores com a melhor formação, com graduação e pós-graduação. Mas infelizmente o poder público ainda não reconhece a importância desses profissionais que, tijolinho por tijolinho, erguem as bases sólidas do futuro do nosso país”, finaliza o especialista. 

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