O desenho animado O Incrível Hulk (1996) não esmagou a audiência nos anos 90.

A série animada dos X-Men lançada em 1992 se tornou um clássico. A animação não era nenhum primor, mas as histórias eram bastante fiéis ao material original e os personagens bem carismáticos. Veio então uma nova animação do Homem-Aranha, que não era tão cativante quanto a série dos alunos do professor X, mas ainda bem divertida. Com o sucesso de ambas, com cinco temporadas cada, logo outros heróis da Marvel teriam também um desenho animado para chamar de seu nos anos 90, época que a editora andou mal das pernas e saiu leiloando seus personagens Hollywood afora.

O Incrível Hulk ganhou em 1996 uma nova adaptação para a TV numa série de desenhos animados que passou longe de repetir o sucesso dos mutantes e do aracnídeo. No Brasil, essa série animada do verdão foi exibida pela Rede Record do bispo Martelo, sem alarde, geralmente no domingo de manhã. Não assisti na época por desinteresse (já não assistia desenhos com a mesma frequência na época) e resolvi corrigir isso agora já que ela está disponível no streaming da Disney junto com outras animações dos heróis Marvel lançadas na época (Os já citados X-Men e Aranha e mais Homem de Ferro, Quarteto Fantástico e Surfista Prateado). Pretendo falar de todas futuramente mas vou começar pelo golias esmeralda.

É interessante perceber esse desenho como um prenúncio do que viria a ser a nova fase de adaptações em live action da Marvel nos cinemas a partir de 1998, que começa com filmes de aventura sérios (Blade – O Caçador de Vampiros e X-Men – O Filme) e desemboca em comédias ruins (Thor Amor e Trovão). A própria carreira do anti-herói no cinema segue por aí também, indo do drama psicológico dirigido por Ang Lee para o humor porta dos fundos de Taika Waititi em Thor Ragnarok. O Incrível Hulk é exatamente assim em suas duas temporadas, a primeira com 13 episódios e a segunda com apenas 8 episódios (ainda bem).

A primeira é fiel as primeiras histórias do personagem. É quase como o filme do Ang Lee, só que não tão bom. Bruce Banner é atingido por raios gama durante uma explosão para salvar o otário do Rick Jones e passa a se transformar no verdão quando fica com raiva (aqui no Brasil ia ser Hulk em tempo integral), sendo perseguido pelos milicos comandados pelo general Thunderbolt Ross, pai de Betty, a namoradinha chorosa de Bruce. A partir daí Bruce/Hulk se torna um foragido e passa a buscar pela cura, contando com ajuda de Betty e de Rick Jones, que as vezes também atrapalham.

Essa primeira temporada, embora mais séria, não tem o mesmo impacto dramático que a série animada dos X-Men. Seus roteiristas parecem que não sabem trabalhar muito bem com o protagonista e o deixam em segundo plano, apelando constantemente para participações especiais de outros heróis da Marvel, como Homem de Ferro, Thor e outros. A maioria não resulta em bons episódios. Os principais vilões, Líder e Gárgula, são insuportáveis, parecendo arremedos do Esqueleto e Homem-Fera de He-Man. O Abominável virou capanga, sem qualquer traço de personalidade. O melhor momento dessa temporada vem na trilogia Darkness and Light, que encerra a temporada e traz algumas reviravoltas interessantes em seu desfecho que deveriam ser exploradas mais adiante. Só que a audiência não estava grande coisa e não foi o que ocorreu. Quando começa a segunda temporada, logo se percebe que a coisa não vai muito bem quando a abertura anuncia o novo título The Incredible Hulk and She-Hulk.

O primeiro episódio, Hulk of a Different Color, resolve de forma atabalhoada as questões deixadas pelo final da temporada anterior e o que temos dai em diante são aventuras mais bem-humoradas, bobas mesmo. O exército desaparece e Hulk começa a fazer parceria com a prima Jennifer Walters, que virou Mulher Hulk no episódio da primeira temporada, Dommed. O próprio Bruce Banner fica mais espirituoso, mudando até o corte de cabelo, e personagens como Betty Ross e seu pai aparecem menos. Como também acontece nos filmes (bem, Betty desapareceu nesses mesmo).

O foco da segunda temporada fica mesmo na prima verde exibicionista do Hulk, que faz parecer que todos os episódios foram roteirizados por um nerdola taradão. O episódio Fashion Warriors é vergonhoso de tão ruim. Até Betty aparece dando uma de modelo lutadora gostosa. O Hulk cinza também aparece nessa temporada, bastante subaproveitado, e os vilões Lider E Gargula retornam ainda mais chatos, com o segundo apaixonado pela Mulher-Hulk (sim, eles atacaram com esse clichê). A voz deliciosa da dubladora Marli Bortoletto faz parecer que Jennifer está tentando seduzir todo mundo com quem fala. É hilário

Falando na questão da animação, The Incredible Hulk é tão pobre quanto as outras animações da Marvel realizadas na época. Enquanto as animações com personagens da distinta concorrente permanecem atemporais, os desenhos com os heróis da casa das ideias tem a cara dos anos 90 (ou 80). No Brasil a série foi dublada pela Álamo, que fez um trabalho bem meia-boca. Não pesquisaram o nome dos personagens nos gibizinhos da Abril, com She-Hulk sendo mantida no original e outros nomes acabaram traduzidos literalmente. Na versão original, o Hulk é dublado pelo Lou Ferrigno, que interpretou o personagem na clássica série live action dos anos 70.

Informações Cultura Pop Rigor

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