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3.7.22

Inflação faz 65% dos brasileiros comprarem marcas mais baratas


Pesquisa mostra que qualidade de vida foi afetada; maioria cortou custos e tem dificuldade de pagar contas essenciais

Inflação, juros altos e o aumento dos preços de bens e serviços, que trazem consigo maior endividamento, custo de vida elevado e o empobrecimento das famílias, estão fazendo o brasileiro mudar seu comportamento, principalmente na compra de alimentos, no consumo de energia elétrica e na economia de combustível. Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pela Proteste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

Ela faz parte de um estudo mais amplo, de que participaram os países-membros do Grupo Euroconsumers, referência global em defesa dos direitos dos consumidores: Bélgica, Portugal, Itália e Espanha. No Brasil, a pesquisa contou com 1.038 participantes, de todas as regiões.

Os resultados mostram que, desde o início do ano, mais de 90% dos entrevistados já mudaram seus hábitos nas principais áreas de consumo, especialmente em relação a energia elétrica, alimentação e mobilidade, em alguns casos incluindo também saúde e atividades sociais. Desses, 70% contaram ter desligado aparelhos ou evitado usá-los com a frequência a que estavam acostumados, para economizar energia elétrica.

Quanto à alimentação, 65% dos consumidores passaram a comprar no supermercado marcas de preço mais baixo, como as marcas próprias das redes, e uma em cada três pessoas diz ter cortado os alimentos não essenciais. A cada dois entrevistados, um afirmou que está comprando uma quantidade menor de peixe ou carne.

No que diz respeiro à mobilidade, três quartos dos respondentes revelaram ter mudado seu comportamento de consumo — são 45% os que estão deixando de usar o carro por conta do combustível mais caro e 28% os que disseram estar dirigindo de maneira mais econômica.

Deixar para depois

As famílias com renda mais baixa foram atingidas com maior intensidade, mas até consumidores que têm uma situação financeira "mais confortável" tiveram de mudar alguns hábitos. Mais da metade, 53%, afirma ter renunciado ou adiado a compra de roupas para si, 47% cortaram atividades sociais, como a ida a restaurantes e bares, e 30% tiveram de mudar os planos para as férias. Também teve uma parcela que cancelou o atendimento odontológico (29%), outra que adiou consultas médicas (26%) e um grupo que deixou para depois a compra de óculos ou aparelhos auditivos (20%).

O corte de custos essenciais revela que a qualidade de vida dos consumidores foi afetada. Quase um quarto de todos os entrevistados descreveu a situação financeira da família como difícil, sendo que 39% declaram que, neste momento, a condição é pior do que a de um ano atrás. E mais da metade dos entrevistados (58%) afirmou não ter margens ou economias para lidar com futuros aumentos de preços.

Apesar da piora em geral, entre os países que participaram do estudo o Brasil foi o que apresentou o maior percentual de consumidores que tiveram melhora no padrão financeiro. Quando solicitados a comparar a situação financeira atual com a de um ano atrás, 16% dos brasileiros afirmaram ter havido progresso. Em Portugal e na Espanha esse dado foi 9%, na Bélgica foi 8%, e na Itália, 7%.

“Sendo um país de renda média, o Brasil é fortemente impactado pela crise inflacionária. Mas, ao mesmo tempo, em função de sua concentração de renda e oportunidades, possui o maior percentual de pessoas, entre os países pesquisados, cujo nível de vida permaneceu igual ou está melhor do que um ano atrás”, comenta Henrique Lian, diretor de relações institucionais da Proteste.

30.6.22

Principais dificuldades das indústrias no Brasil em 2022


Abrir um negócio no Brasil não é nada fácil, e todo mundo que já tentou em algum momento sabe muito bem de toda a dor de cabeça que pode estar envolvida nisso. Tudo fica ainda mais complexo se o negócio que você quer abrir é do setor das indústrias, e essa complicação a mais tem vários motivos.


Primeiro, pelo fato de as indústrias serem negócios complexos, que precisam de mão de obra especializada, maquinário pesado, demandam muito investimento, tempo, espaço e não têm uma clientela comum como as empresas tradicionais. Não é como se alguém fosse passar na frente da sua indústria e fazer uma compra, da mesma forma que ocorre com muitas lojas.

 

O resultado dessa complicação toda é que muitas pessoas abandonaram o barco e desistiram de seus negócios, com mais de 30 mil indústrias fechando no país de 2013 para cá.

 

Isso só mostra o quanto esse negócio pode ser complexo, e não é para qualquer um. Apesar de ser uma parte fundamental da economia do nosso país e de fornecer emprego a milhões de brasileiros, ter uma indústria não é trabalho fácil. Por esse motivo hoje vamos ajudar você que está pensando em começar nessa área.

 

Apresentaremos aqui as maiores dificuldades que as indústrias vão ter que passar no Brasil no ano de 2022, já adiantando toda a dor de cabeça que você vai ter na hora de seguir nesse setor. 

 

O investimento inicial


Vamos falar especialmente com você, que vai abrir a sua indústria neste ano. Se você quiser dar o seu primeiro passo, o timing certamente não é o melhor. Não estamos dizendo para você abortar a sua missão, mas já adiantamos que você vai sofrer mais do que as pessoas sofreram antes da pandemia, por exemplo.

 

Estamos passando por um dos piores momentos econômicos do nosso país, com inflação extremamente alta, e com algumas coisas especificamente muito caras, coisas essas que podem influenciar diretamente no valor que você vai ter que investir.

 

Se você abrir uma indústria que trabalha com transportes, por exemplo, o preço de um veículo e da gasolina já vai automaticamente inflacionar muito o seu investimento. Isso faz com que as pessoas pensem duas vezes antes de dar esse primeiro passo, e deixa muito claro que o desafio de quem vai começar agora em comparação com quem começou há 5 anos, vai ser bem maior.

 

Vale lembrar ainda que existem os gastos com segurança que toda indústria é obrigada a ter, desde cuidados com os equipamentos que requer manutenção, emissão de certificado de calibração e tudo mais, até a segurança do trabalho típico que cuida do bem-estar do funcionário.


Esse também é um investimento inicial que deve ser levado em consideração e que vai gerar gastos logo de cara.

 

A falta de insumos

 

Agora vamos falar de um mal que todas as indústrias estão sofrendo. Você já deve ter ouvido falar disso em algum momento, já que esse tipo de notícia está praticamente tomando os noticiários sempre que uma empresa ameaça fechar as portas.


A falta de insumos tem sido a maior dor de cabeça dos últimos anos para quem trabalha no ramo da indústria. E para quem não sabe, insumos são todos os itens fundamentais para a produção de alguma coisa, praticamente a sua matéria-prima.

 

Muitas vezes, esses insumos são importados, e isso por si só já cria uma dor de cabeça bem grande, principalmente porque estamos vivendo momentos de conflitos internacionais e até de sentimento de parceiros, e tudo acaba pesando no preço e também na burocracia de se importar insumos. 

 

Infelizmente esse é um problema que não está dando muitos sinais de que está prestes a melhorar, com altos conflitos internacionais seguindo. Tudo indica que pelo resto do ano a falta de insumos vai continuar assombrando boa parte da indústria brasileira, e vamos ter que continuar nos virando da forma que for possível.

 

A produtividade


Um problema que nasce diretamente da falta de insumos, é o da produtividade. É claro que tudo o que vivemos durante a pandemia da Covid 19 também teve sua responsabilidade, mas agora, com isso e o problema anterior somados, o que temos é uma bola de neve.


Não existem insumos suficientes para uma alta produtividade. Ao mesmo tempo, não se sabe se existe uma demanda grande por essa produtividade por conta da retomada financeira em meio a uma crise.


Isso compromete diretamente a produtividade das indústrias, e se as indústrias produzem menos, a economia gira menos. Algumas podem acabar fechando pela falta de produtividade, o que vai gerar desemprego e uma bola de neve de coisas ruins para nossa economia.


Isso mostra que 2022 vai ser um ano complexo para as indústrias, e que elas vão ter que lutar para poder passar por esse momento sem que alguma acabe se comprometendo seriamente.

16.4.22

Com a inflação acelerada, brasileiros perdem conquistas que vieram com o Plano Real


O choque de preços que levou a inflação em março a 1,62%, a maior marca para o mês em 28 anos, e a dos últimos 12 meses a 11,30% provocou uma perda abrupta de conquistas de consumo dos brasileiros desde o Plano Real. Carne, iogurte, queijo, bolacha recheada, itens que tinham ficado acessíveis nas últimas décadas, agora estão deixando a lista de compras de parte da população – o que é o exemplo mais visível de uma situação de perda de renda, desemprego elevado e custos mais altos.

Nos últimos meses, 73,1% dos consumidores deixaram de comprar carne, quase latic10% cortaram iogurte, queijo,laticínios e bebidas alcoólicas e perto de 6% não levaram para a casa biscoito e feijão, alimento básico, revela pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), feita pela JFP Consultoria e obtida pelo Estadão.

O estudo, que ouviu no início do mês 200 consumidores com renda familiar de até dez salários mínimos (R$ 12.120) quando faziam compras em supermercados da capital paulista, mostra que 52% deixaram de consumir algum produto entre alimentos, bebidas, itens in natura e artigos de limpeza. Com a disparada dos preços, 79% dos entrevistados passaram a levar um volume menor de itens para casa.

O zelador Marcelo Domingos dos Santos, de 50 anos, é um dos que frearam o consumo. Ele gasta hoje R$ 700 na compra de supermercado, sem levar tudo o que precisa para casa, onde vive com a mulher e dois filhos. Até pouco tempo atrás, desembolsava R$ 500 e saía do supermercado com o carrinho cheio.

“Faz um ano que diminuímos o consumo de carne. Até a moída está difícil de comprar”, diz. O iogurte, um dos símbolos da melhora do consumo trazida pelo Plano Real, ele nem lembra quando comprou pela última vez.

Com gasolina cara, opção é o mercado de vizinhança

A mudança de hábito de consumo do brasileiro provocada pela disparada da inflação vai além da redução das quantidades de produtos básicos comprados e da eliminação de outros. Ela atinge também a escolha de quando e onde comprar. É que o forte aumento do combustíveis impôs despesas adicionais com transporte.

Pesquisa do Sincovaga mostra, por exemplo, que 67% dos consumidores estão indo às compras com menos frequência e quase a metade (46%) admite que o aumento do preço do combustível influi na escolha da loja onde faz a despesa.A preferência passou a ser pelo mercado de vizinhança, onde se pode ir a pé. Esse é o local escolhido por 46,3% dos entrevistados, superando os supermercados (29,6%), os hipermercados (22,2%) e até o comércio online (20,4%).

Por causa do movimento menor que há nesses estabelecimentos e o giro mais lento das mercadorias, Álvaro Furtado, presidente do Sincovaga, explica que a loja de vizinhança demora mais tempo para atualizar os preços. Também por esse motivo, a loja de vizinhança ganha a preferência do consumidor num ambiente de inflação alta, argumenta.

Pesquisar preços (75,3%), dar prioridade às promoções (61%) e experimentar marcas mais acessíveis (59,7%) têm sido as estratégias usadas para fazer a compra se encaixar no orçamento.

Troca dobrada

Um resultado da pesquisa que chama muito atenção é que em dois anos, desde o início da pandemia, 67% dos entrevistados já trocaram de marca de produto duas vezes para economizar. “Isso é o retrato da pobreza”, diz Furtado. A troca de marca mostra que quem precisa colocar comida na mesa compra o que o dinheiro permite, afirma. “O duplo downgrade (rebaixamento) de marca aponta a gravidade da situação econômica e social que a gente vive”, diz o consultor de varejo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial.

Além do repique dos preços de vários itens, influenciados pela guerra recente entre Ucrânia e Rússia, o pano de fundo dessas mudanças no consumo, segundo Furtado e Foganholo, é o estrago que a inflação tem provocado na renda, reduzindo a capacidade de compra dos cidadãos.

No trimestre encerrado em fevereiro, o último dado disponível, a renda média real do trabalhador, que inclui também a informalidade, foi de R$ 2.511, um resultado 8,8% menor em relação ao mesmo período de 2021, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua do IBGE.

Esse quadro se repete para os trabalhadores formais de empresas privadas. Nos últimos 12 meses até fevereiro, 55,7% dos reajustes perderam para a inflação, 15,1% conseguiram repor só as perdas e apenas 29,2% superaram a inflação, aponta o “Salariômetro” da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que acompanha os resultados das negociações reunidos pelo Ministério da Economia.

Para Furtado, o momento atual é pior em relação a outros períodos de inflação elevada no passado. Isso porque, embora, defasados, no passado os salários eram corrigidos, o que resgatava o poder de compra do consumidor. “Hoje, no entanto, esse gap (diferença) é grande”, avalia.

Já na opinião de Foganholo, ambos os momentos – da hiperinflação antes do Plano Real e o choque inflacionário atual – são péssimos. No entanto, ele pondera que nos anos 1990 os brasileiros estavam mais preparados para viver num ambiente inflacionário. “Passados mais de 25 anos com inflação domada, infelizmente esse processo voltou e o grande choque é a mudança repentina na qual se percebe que aquela condição que havia para consumir não existe mais.”

14.4.22

Aposentadoria rural: saiba como funciona para boia-fria


A aposentadoria é prevista aos trabalhadores contribuintes brasileiros que exerceram atividades laborais. Ela pode ser entendida pela ótica de trabalho no meio urbano – como destinada a um trabalhador que se dedicou às atividades em uma empresa de rolamentos – e, por outro lado, no meio rural.

No caso da aposentadoria rural, ela é destinada àqueles que se envolveram com atividades no campo. Levando em conta as diferenças das atividades e condições de trabalho exercidas no campo, os trabalhadores rurais, sob a perspectiva da seguridade social, são divididos em 4 categorias: 

  • Segurado empregado;
  • Contribuinte individual;
  • Segurado trabalhador avulso;
  • Segurado especial.

Abaixo iremos estender a discussão de como funciona esse tipo de aposentadoria e, em especial, para os trabalhadores bóias-frias. Continue a leitura e confira!

Boia-Fria: entenda mais do que se trata

O trabalhador rural popularmente pode ser chamado de boia-fria. Este é um termo guarda-chuva e pode se referir tanto para o trabalhador rural informal, quanto para uma diarista rural e um safrista que trabalha com armazenagem de cargas, por exemplo.

A sua origem está nas refeições levadas por esses trabalhadores. Pelo fato de acordar muito cedo para trabalhar, suas marmitas já não estariam mais quentes quando fossem fazer alguma refeição.

Em via de regra, esses trabalhadores são assalariados, isto é, não possuem vínculo de emprego. Eles podem ser contratados para períodos de trabalho regulares ou temporários, em especial no período de safra.

Pela falta de controle de suas condições de trabalho, estima-se que eles trabalhem muito mais do que um trabalhador na formalidade – em termos de longos períodos e esforços demandantes.

Nesse sentido, há uma empresa de medicina do trabalho que voluntariamente oferece assistência a esses trabalhadores quando necessitam de qualquer assessoria. 

Por esse motivo, é necessário que haja uma cobertura e garantia de direitos trabalhistas para eles. Em geral, esse grupo de pessoas não tem uma educação formal e, por isso, é tão necessário que tomem conhecimento de seus direitos de trabalho e previdência social.

Como funciona a aposentadoria rural para bóias-frias?

Em linhas gerais, sob a perspectiva da seguridade social, o boia-fria pode ser considerado um:

  • Trabalhador avulso;
  • Contribuinte individual;
  • Segurado especial.

O trabalhador avulso não tem uma relação de emprego e tem a flexibilidade de vender seus serviços para uma ou mais entidades com a obrigatoriedade do intermédio de sindicatos ou entidades gestoras de mão de obra.

Veja o exemplo de um trabalhador rural que presta serviços a uma empresa que faz cabo de solda. Essa entidade, por sua vez, é responsável pelas contribuições previdenciárias para esse segurado.

Apesar da possibilidade de um boia-fria se encontrar nessa categoria, eles dificilmente se enquadram nas condições acima.

O contribuinte individual também está sem uma relação com vínculo empregatício. Ele presta serviços para diversas empresas ao mesmo tempo e, por conta disso, a responsabilidade pelos recolhimentos de guias sociais recai sobre as empresas.

Isso quer dizer que não há necessidade de exames periódicos ou exame de retorno ao trabalho para esses trabalhadores, pois eles não se enquadram na classificação de vínculo de trabalho.

Em conjunto com sua família ou apenas individualmente, o boia-fria, para se enquadrar nessa categoria, deve morar em um imóvel rural e explorar atividades relacionadas à agropecuária, extração vegetal ou de borracha (seringueiro).

Além disso, ele precisa cumprir mais um requisito: deve utilizar essas atividades como principal meio de vida. Nesse sentido, como não há vínculo de emprego e não há um intermediador, não há diretamente o recolhimento das guias de previdência social.

Ainda assim, eles têm direito a aposentadoria. Por ser consideravelmente difícil comprovar vínculos de emprego ou calcular o tempo de contribuição, a aposentadoria rural é uma alternativa a eles. 

Aposentadoria rural para contribuintes individuais e avulsos

Nessa classificação, os trabalhadores podem optar pelas duas opções: aposentadoria rural por idade ou aposentadoria rural por tempo de contribuição.

Aposentadoria rural por idade

A idade do contribuinte é levada em consideração, bem como o sexo para classificar a idade mínima para se aposentar.

Para homens, é necessário ter no mínimo 60 anos de idade e também 180 meses de carência. Para mulheres, por sua vez, é necessário ter no mínimo 55 anos de idade e 180 meses de carência. 

No caso da carência, ela se refere ao tempo em que o boia-fria não contribuiu à previdência.

Aposentadoria rural por tempo de contribuição

Nessa categoria, os trabalhadores rurais do sexo masculino devem cumprir obrigatoriamente 35 anos de contribuição e 180 meses de carência. Já as trabalhadoras rurais mulheres, devem cumprir obrigatoriamente 30 anos de contribuição e 180 meses de carência. 

Nesse caso, não há idade mínima para se aposentar. 

Aposentadoria rural para segurados especiais

Em comparação com as outras categorias para gozar da aposentadoria, os pré-requisitos são mais maleáveis. Há recolhimento diferente das demais contribuições. A maior parte dos boias-frias se encaixa na categoria de segurado especial. 

Além de boias-frias, também se encontram nessa categoria:

  • Indígenas;
  • Pescadores artesanais; 
  • Produtores rurais com licença ambiental;
  • Usufrutuários;
  • Proprietários de terrenos;
  • Entre outros.

Para trabalhadores rurais do sexo masculino, é necessário ter no mínimo 60 anos de idade e 180 meses de carência. Já para as trabalhadoras rurais do sexo feminino, é necessário ter no mínimo 55 anos de idade e 180 meses de carência.

Apesar de os requisitos serem exatamente iguais aos da aposentadoria para contribuintes individuais e avulsos, a diferença está no valor a ser recebido pela aposentadoria. 

Qual o valor da aposentadoria rural para segurados especiais?

Ela sempre será correspondente ao salário mínimo definido pelo governo, podendo variar de ano a ano. Para este ano, 2022, o valor base é igual a BRL 1.212,00.

Existe a possibilidade de ganhar um valor acima do salário mínimo. Será necessário realizar o recolhimento ao INSS sob alíquota de 20% sobre o montante do salário-mínimo e o teto do INSS em questão. Neste ano, 2022, o teto corresponde a BRL 7.088,51.

A partir daí, o tempo de contribuição é que passará a ser parâmetro para o valor a ser “devolvido”. 

O que é necessário para comprovar tempo rural como boia-fria? 

Para receber esse valor de aposentadoria como segurado especial, partimos do princípio de entregar o mínimo de prova material. Nesse caso, será necessário evidenciar que o trabalhador fez atividades durante o período em questão atestando provas materiais.

Com isso, queremos dizer extratos bancários, fotos e vídeos, comprovante de residência rural, declarações de cooperativas, se aplicável, e até mesmo certidão de nascimento que conste o contribuinte na condição de boia fria. 

Note que não há necessariamente obrigatoriedade de apresentar uma prova material para cada ano que você trabalhou, tampouco laudo ergonômico ou psicológico.

Caso haja testemunhas, poderá ser solicitada uma oitiva para a entrevista delas, mas isso não será suficiente para a comprovação. De fato, serão necessárias as provas materiais acima citadas.

Além disso, será necessário também protocolar uma autodeclaração rural, na qual os trabalhadores atestam por si próprios que de fato eles se encontraram nessa condição por um determinado período de tempo.  

Essas informações passarão, ainda, pela perícia da Seguridade Social brasileira (INSS). 

Caso o trabalhador, por diversos motivos, não conseguir coletar as provas materiais ou testemunhais suficientes, para comprovar a atividade rural, isso não garantirá a aposentadoria e o processo comprobatório poderá ser extinto. 

Mas não se preocupe: o trabalhador em busca da seguridade social poderá procurar por outros novos documentos e evidências para abrir uma nova ação no futuro. 

Aposentadoria por idade híbrida e por tempo de contribuição urbana

Em alguns casos, os trabalhadores bóias-frias acabam tendo tempo de contribuição parcial em atividades relacionadas ao meio urbano. Assim, eles não têm tempo de contribuição à seguridade social suficiente para se aposentar pelo método de aposentadoria urbano.

Assim, esses trabalhadores podem solicitar a aposentadoria por idade híbrida ou por tempo de contribuição urbana com período rural. 

Aposentadoria por idade híbrida com tempo rural

Essa categoria segue as mesmas regras para aposentadoria por idade urbana: as mulheres podem se aposentar com no mínima de 62 anos, adicionando 6 meses de contribuição a cada um ano completo. 

Os homens, por outro lado, seguem a mesma regra, com exceção de que a idade mínima é de 65 anos. 


Frente à Reforma da Previdência Social, um segurado que trabalhou, por exemplo, em uma consultoria ambiental contribuindo para o INSS deve receber 60% da média do período contribuído somados a 2% para cada ano contribuído.

Aposentadoria por tempo de contribuição urbana com contagem de tempo rural

Nessa categoria, os trabalhadores devem ter um tempo mínimo de contribuição urbana – nesse caso, 30 anos para mulheres e 35 anos para homens – completos até 12/11/2019.

Destes anos, 15 anos devem ser no mínimo de trabalho urbano, enquanto que a diferença deve corresponder ao trabalho rural. O valor de contribuição, nesse caso, corresponderá ao valor de um salário mínimo.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

14.3.22

Saiba como sacar valores esquecidos pelo sistema do Governo


Vamos começar este artigo explicando que o Sistema de valores a receber é a nova plataforma que o BC (Banco Central) lançou para que os brasileiros verifiquem quantias "esquecidas'' em bancos e instituições financeiras.

Ademais, é importante reforçar que ninguém é autorizado a entrar em contato com os cidadãos em nome do BC, portanto é recomendado que nunca clique em links de sites suspeitos recebidos por SMS e e-mails.


Inclusive, esse cuidado é válido em diversas situações. Lembre-se, você deve agir como um controlador de acesso sobre as informações que chegam até você, bem como sobre o que você abre ou deixa de abrir.


Pois bem, as consultas são permitidas de forma gratuita e são disponibilizadas com os valores a receber com data e períodos para solicitar o resgate do saldo existente na conta em questão. 


Essas datas são agendadas, porém, ainda que não haja essa consulta ou solicitação de resgate do saldo, o valor continua guardado à espera. 


A mídia digital facilitou esse processo, evitando que haja muita desinformação entre os bancos contribuintes ou mesmo os sistemas.


Logo, isso também minimizou os procedimentos que possam afetar o meio ambiente com soluções ambientais mais imagináveis, visto que evita aglomeração de pessoas, geração de contratos em papéis, e senhas comuns em instituições financeiras.


Pois bem, falando sobre os valores, é importante reforçar que mais de 2,5 bilhões de reais estão a serem devolvidos para mais de 24 milhões de pessoas, tanto físicas quanto proprietários de empresas de sistemas


Inclusive, essa plataforma agrega dados diferentes e casos possíveis de recebimento. 


Em caso de consulta, exigirá uma conta no portal do Governo Federal, e quem já está ciente que possui dinheiro a resgatar, deve atualizar seu cadastro e solicitar a transferência a partir do dia sete de março, via PIX, TED ou  DOC, em até doze dias úteis.

Como consultar esse direito?

Tendo em vista a forma correta de acesso a este direito, sem entrar em conflitos, ou se submeter a golpes de todo tipo, os meios para conseguir a consulta aos valores a receber através do Banco Central é primeiramente através do site oficial: valoresareceber.bcb.gov.br.


Não são enviados links posteriormente ao cadastro, nem contatos referente a valores, confirmação de dados pessoais, nem mesmo em nome do BC ou do Sistema de Valores a Receber.


Inclusive, caso receba e caia na fraude, é recorrente e disponibilizado um advogado direito do consumidor.


Logo, a única forma de verificar as quantias é acessando o sistema do BC online, caso não seja feito de forma ativa, não haverá nenhum tipo de comunicação sobre os valores cobrados.


Qualquer solicitação suspeita por meio de SMS, e-mail, Whatsapp ou Telegram, para confirmar ou ter acesso a valores, é golpe. 


Apenas depois de acessar o sistema e caso haja a necessidade de pedir o resgate sem indicar uma chave Pix, assim a instituição financeira escolhida entrará em contato para efetuar esse procedimento de transferência.

Cuidados e segurança com a conta

Conforme o Banco Central anunciou esse novo sistema no serviço de contabilidade, que abre a possibilidade do recebimento e recuperação de valores, muitos brasileiros passaram a ser alvos para golpes.


Essa possibilidade financeira de grande visibilidade dá abertura para novas formas de golpe e roubos através dos dados pessoais que não devem ser passados em hipótese alguma.


Sabendo que nenhuma pessoa, entidade ou autoridade tem acesso a contatos dos clientes, não serão enviados links ou informações de conclusões feitas através de cadastros.


Ademais, tenha atenção também com sites falsos, inclusive, empresas de sistema estarão trabalhando para que não haja nenhuma complicação aos usuários.


Aos que não possuem dinheiro, poderão fazer uma nova consulta em maio, na segunda fase de liberações. Na primeira etapa, está liberado o direito de averiguar os valores de:


  • Conta corrente ou poupança encerrada com saldo disponível;
  • Recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados;
  • Parcelas, operações de créditos, cobrados indevidamente;
  • Tarifas cobradas indevidamente; 
  • Cotas de capital ou rateio de sobras líquidas.

Inclusive, pensando em facilitar ainda mais o entendimento, bem como aumentar a segurança, vejo como se proteger de possíveis golpes ou fraudes.

Veja como funciona o passo a passo

O primeiro passo para a solicitação do resgate é ter o acesso ao Gov.br, esta plataforma do Governo Federal centraliza todas as informações e centenas de serviços de informatica.


Logo em seguida o usuário terá que informar a chave Pix de sua instituição bancária de uso frequente.


Exigindo o nível de segurança da conta é possível alterar acessando dentro da conta em “Privacidade” e depois “Gerenciar lista de selos de confiabilidade”, e por fim autorizar o uso de dados pessoais.


Assim que aparecer a opção “adquirir novas confiabilidades do gov.br”, é só concluir como sendo avaliação patrimonial e seguir adiante com o cadastro. Inclusive, quem já tem a biometria cadastrada no Denatran, o próprio sistema faz o preenchimento.


Na possibilidade de haver dinheiro para receber, após o cadastro gratuito ter sido feito, precisa que seja bronze, prata ou ouro, informando o CPF, selecionando os Termos de uso, autenticação de não ser um robô e continuar.


Em “selos de confiabilidade”, clique em “Cadastro via internet Banking [ nome do banco ]" para assim seguir os passos do banco para acessar a conta e validar por meio do acesso dessa mesma conta bancária.


Isso varia conforme o nível de segurança, em caso de nível prata é permitido o acesso único com login, totalmente digitalizados garantindo o completo acesso ao site, com alta segurança, tendo apenas a comparação da foto tirada para o aplicativo no primeiro momento de acesso com a Carteira Nacional de Habilitação.


Caso o nível seja ouro, é de outra maneira. Essa é uma opção para quem tem biometria registrada nas bases do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e assim que o saldo estiver disponível para o resgate é necessário a transferência na data estimada.


Dia definido pelo BC, é necessário logar no SVR com a conta antes feita no site do GF (Governo Federal) prata ou ouro. Depois do acesso ao sistema e informado sobre o valor, solicitar a transferência. É importante saber que o banco não pedirá senhas.


Após ativar o nível prata através dos dados pessoais de quem possui contas (ativas) em um dos seis bancos vinculados ao portal Gov.br: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, BRB, Banrisul, Sicoob e Santander.

Não cair em golpes do SVR

Esta ferramenta (SVR) Sistema de Valores a Receber conta com um total de R$ 8 bilhões confirmados, que poderão ser resgatados, havendo também uma segunda fase para esses valores esquecidos. 


O que se sabe é que a maioria do dinheiro esquecido é de pessoas físicas e não das empresas.


Inclusive, um serviço de calibração potente programado para cibersegurança acabou identificando ao menos 25 sites utilizando essa ferramenta (SVR) para se beneficiarem, feitos exatamente para golpes financeiros. 


Eles tentam se passar pelo sistema apenas para a coleta de dados com CPF e as chaves Pix, para fazer esse acesso em que os dados e os valores são inteiramente responsabilidade das mesmas instituições financeiras.


Para alguns este saldo pode ser um valor baixo, mas ainda assim o BC indica sacar o dinheiro de maneira simples e por esse novo meio.


Caso a instituição não tenha aderido aos termos específicos do Banco Central, será necessário obter a informação com os dados de contato diretamente no sistema, com o meio de pagamento ou transferência.


Se a data não for respeitada, será preciso analisar a data de repescagem definida pelo Banco Central, e assim ter acesso a novas datas e novos horários para o recebimento dos valores acrescentados a cada conta eleita.

Datas e prazos para a liberação

As datas e os prazos estimados para cada liberação do dinheiro é de acordo com o ano de  nascimento de quem será beneficiado ou da empresa que foi criada, no caso a PJ (Pessoa Jurídica), seguindo o calendário do Banco Central e as datas de repescagem.


A partir de 14 de fevereiro de 2022 foi liberado para consultas referentes a algum valor, logo em caso positivo é necessário seguir as datas referentes e respectivas para cada pessoa. 


Com isso, essas solicitações de transferências poderão ser agendadas a partir do dia 07 de março deste ano ainda, na data devida informada pelo sistema, essas datas estão disponibilizadas abaixo:


  • Antes de 1968: 7 a 11 de março de 2022;
  • Entre 1968 e 1983: 14 a 18 de março de 2022;
  • Após 1983: 21 a 25 de março de 2022;
  • Antes de 1968: repescagem em 12 de março de 2022;
  • Entre 1968 e 1983: repescagem 19 de março de 2022;
  • Após 1983: repescagem em 26 de março de 2022.

A repescagem funcionará durante todo o dia, das 4h às 24h, sem que haja um prazo limitante para ser efetuado esse saque.


Sendo assim, ao perder a chance de repescagem, a pessoa poderá solicitar o resgate desse saldo a partir de 28 de março de 2022, independentemente da data de nascimento ou da criação da empresa. 


A origem desse dinheiro se deu porque foi deixado para trás decorrente das contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível, recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados.


Caso não haja nenhuma busca após todas essas datas fornecidas, não será afetado o fato do dinheiro estar preso no banco e nem o direito que se tem sobre receber esse recurso, ou seja, eles continuam guardados pelas instituições financeiras.


Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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