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O dia de trabalho de três “marreteiros”, como são chamados os vendedores ambulantes, terminou com a morte de dois deles – Rodinei Alves dos Reis e Bruno Nascimento de Souza – e a prisão do sobrevivente, Kauê Oliveira Francisco, em Itaquaquecetuba, Grande São Paulo, no último sábado (12/10), no Feriado de Nossa Senhora Aparecida.

GCMs (Guardas Civis Municipais) de Itapecerica da Serra, Grande São Paulo, foram vítimas de uma tentativa de assalto em um posto de gasolina no km 35 da Rodovia Ayrton Senna, reagiram e acertaram o carro onde os três amigos estavam, quando retornavam do Santuário de Aparecida, depois de vender água e sorvete para os romeiros.



Nas imagens de câmeras de segurança do posto, é possível observar que quatro pessoas conversam perto de uma moto amarela, modelo BMW. Ao fundo, dois homens chegam ao local andando, mesmo momento em que um veículo prata para na bomba ao lado dessas pessoas. É possível ver quando a dupla tenta assaltar o grupo de GCMs, que reage. Um guarda atira na direção dos homens que tentam fugir na moto, outro dispara para dentro do carro. A namorada de um dos guardas, Roberta Maria de Franca, é baleada no peito e morre, assim como dois dos homens dentro do carro.

O vídeo retrata situação diferente da apresentada pelos guardas na delegacia. Segundo a versão guardas Emanuel Formagio e Adriano Borges Rodrigues, eram cinco homens no carro, dois desceram para assaltá-los e os demais ocupantes eram comparsas que morreram em confronto.

Um dos homens consegue sair do carro e pede socorro, conforme registra a câmera de segurança do local. Em troca, recebe pontapés, joelhadas e é amarrado por um dos guardas com corda jogada por frentista do posto de gasolina. Esse rapaz é Kauê, que foi apontado como um dos autores do crime e levado preso junto de Caio Jorge Marques, um dos suspeitos que tentou fugir, mas que buscou socorro na Santa Casa de Suzano, município também na Grande São Paulo, após ser baleado no pé.

Desde o primeiro depoimento na delegacia, Kauê explicou que voltava de Aparecida com os amigos Rodinei e Bruno no Fiat Siena prata que está no nome de Luciana de Oliveira Alves, 27 anos, companheira de Rodinei. Como estavam desempregados, o comércio ambulante passou a ser o sustento do trio, que em grandes eventos, como foi a romaria do sábado ou mesmo jogos de futebol, vendiam água, sorvete e amendoim. Kauê, que em um primeiro momento foi preso, acabou libertado depois que o vídeo que abre esta reportagem chegou até o delegado.

Reprodução Divulgação

Mas se as imagens serviram para libertar o vendedor sobrevivente, não tiveram efeito no momento de indiciar os guardas civis pela ação. Na quinta-feira (17/10), o delegado Rubens José Ângelo afirmou considerar ser “prematuro” fazer o indiciamento e que prefere esperar mais provas que indiquem uma eventual conduta excessiva por parte dos agentes. “Vou aguardar a chegada do laudo de corpo de delito do Kauê, do laudo necroscópico, de todos os laudos. Preciso dessas provas técnicas para poder fazer o indiciamento ou adotar outra medida de Polícia Judiciária. Não podemos adotar nenhuma medida precipitada, açodada”, declarou.

De acordo com o boletim de ocorrência, dentro do carro havia algumas caixas com copos de água e sorvetes, além de R$ 322 e três celulares. Imagens obtidas pela Ponte mostram os amigos confraternizando e mostrando que iam para Aparecida trabalhar horas antes de morrerem. “Aí, rapaziada, estamos chegando em Aparecida. Sorvete tem, água, tem. Vamos para cima! 150 palitos e três caixas d’água. Bagulho está louco!”, brincou Rodinei, em vídeo enviado aos amigos “marreteiros”.



“Ele disse que queria voltar de lá com R$ 3 mil para investirmos em nosso negócio de açaí”, lembrou Luciana, em entrevista à Ponte. Ela explicou que o companheiro, pai de sua filha de seis anos, sempre usava o celular e ficava conectado. Quando deu 20h de sábado e ele não mandou mais mensagens, começou a buscar informações. Ela só descobriu o paradeiro dos três no início da manhã de domingo, quando o caso passou na televisão. Luciana ligou para a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e ouviu que o marido morreu ao participar de um roubo.
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