5.4.19

Você sabe quem ainda está sem acesso à energia elétrica no Brasil?

Imagem Divulgação

O Folheto elaborado para a Feira e Simpósio Energia & Comunidades, em março de 2019, explica como a energia renovável pode ser uma alternativa em locais isolados que ainda não tem acesso adequado à energia elétrica.

O Instituto Energia e Meio Ambiente (IEMA), Instituto Socioambiental (ISA), Associação Terra Indígena Xingu (ATIX) e Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) debaterão, como a energia renovável pode beneficiar as comunidades indígenas. O evento gratuito acontecerá na Feira e Simpósio Energia & Comunidades, em Manaus (AM). Na ocasião, serão apresentados os resultados de dois estudos: Aprendizados e desafios da inserção de tecnologia solar fotovoltaica no Território Indígena do Xingu e Avaliação de impacto socioambiental da introdução de sistemas fotovoltaicos no Território Indígena do Xingu.


O primeiro é uma análise econômica realizada pelo IEMA sobre o projeto Xingu Solar do ISA, que instalou 70 sistemas fotovoltaicos em 65 aldeias do Território Indígena do Xingu (TIX), com potência total de 33.260 kWp. O segundo, um estudo qualitativo e quantitativo sobre os primeiros efeitos sociais e comportamentais nos locais que receberam o Xingu Solar. Para a realização deles, foram realizadas entrevistas em 15 aldeias com 117 atores envolvidos no projeto: participantes dos cursos de formação, lideranças indígenas, parceiros e equipe do ISA.

Na ocasião, além dos debates, também serão divulgados vídeos, um relatório resumido e os dois documentos completos sobre os estudos. Em seguida, todo material ficará disponível no site do IEMA.


O Xingu Solar é importante porque a oferta de eletricidade no TIX é restrita e, quando disponível, a energia utilizada provém de sistemas a diesel ou a gasolina adquiridos pelos próprios habitantes ou fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Desse modo, a população local fica dependente do abastecimento do combustível para ter energia e, com frequência, os geradores precisam de manutenção.

No escuro
Falta no Brasil a universalização do acesso à energia elétrica. Ter uma fonte confiável de energia elétrica é direito de todos. Algumas comunidades remotas, a maior parte delas na Amazônia, está sem energia elétrica. São indígenas, quilombolas, ribeirinhas ou moradores de reservas extrativistas.


Muitas cidades ou vilarejos estão desconectados do Sistema Interligado Nacional, que distribui a energia gerada pelas diversas fontes do país. Eles são atendidos por sistemas próprios, isolados do resto. No Brasil, são 270 sistemas dos quais dependem mais de três milhões de consumidores. Até cidades grandes como Boa Vista, capital de Roraima, dependem desses sistemas. A maior parte dos sistemas é composto por geradores a óleo diesel. Sua operação e manutenção é cara e poluidora. Além disso, o suprimento de combustível os torna menos confiáveis do que o sistema interligado.

O acesso à energia elétrica pode levar benefícios às comunidades como a refrigeração de vacinas, soros antiofídicos, de alimentos, o bombeamento e armazenamento de água potável e possibilitar a ampliação de atividades produtivas, culturais e educacionais. Para garantir que a universalização seja realizada da melhor forma, potencializando todos esses benefícios, é necessário o desenvolvimento de modelos de implementação que incluam as comunidades e que as políticas públicas do setor elétrico se adequem às realidades locais.

Fonte: Instituto de Energia e Meio Ambiente
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